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Mostrando postagens de Maio, 2016

Faltou combinar com os russos - Gregório Duvivier

Reza a lenda que na Copa de 58, o técnico Feola bolou um esquema infalível contra a seleção soviética: Nilton Santos lançaria a bola pela esquerda para Garrincha, que driblaria três russos e cruzaria para Mazzola marcar de cabeça. Garrincha ouviu o professor atentamente: “Tá legal, seu Feola, mas o senhor combinou com os russos?”.
“Primeiro a gente tira a Dilma”, dizia o pessoal do impeachment. “Depois a gente derruba o Temer. Aí a gente prende o Cunha. Quando ele cair, a gente cassa o Renan. Daí pronto: eleições gerais.” O plano era infalível. Só esqueceram de combinar com os russos.
No poder, o presidente interino (não pronunciarei mais seu nome) já mostrou que não tem a menor intenção de renunciar –apesar de ter assinado as mesmas pedaladas que derrubaram Dilma. Parabéns a todos os que produziram o efeito dominó mais curto do mundo: parou na primeira peça.
Os russos roubaram a bola antes dela chegar ao ataque e fizeram sete gols. O secretario de segurança genocida foi premiado com…

Sexta-Feira 13 de Maio

A democracia no Brasil, a partir de hoje, deixa de ter caráter pleno desde a redemocratização. Começa um período sombrio na História do Brasil, que, depois de apenas 27 anos desde a eleição direta de 1989, deixa mais uma vez de ser uma democracia, anulando na prática os votos de 54 milhões de cidadãos e substituindo-os por uma eleição indireta de parlamentares corruptos e que conferiu, já de imediato, o rótulo de "ilegítimo" ao "governo" Temer. Assim sendo, vamos combinar o seguinte:
1. Dilma será chamada "presidenta eleita";
2. Temer será chamado de "presidente interino", ou "presidente ficha-suja";
3. Governo Temer será chamado de "governo" Temer;
4. O PMDB de "partido do vomitaço";
5. Aécio Neves seguirá sendo "candidato derrotado". E, não, Dilma caiu, mas quem assume não é o Aécio;
6. Dia 17 de abril de 2016 como "O dia da Vergonha" graças aos nossos ilibados deputados;
7. O plano "A po…

O PT poderá se reinventar? - Frei Betto

Ver Dilma ser enxotada do Planalto me traz profunda indignação. Éramos vizinhos na década de 50, na rua Major Lopes, Belo Horizonte. Fomos vizinhos de cela no Presídio Tiradentes, em São Paulo, na década de 70. E, pela 3ª vez, vizinhos na Esplanada dos Ministérios, ela ministra, e eu, assessor especial de Lula, em 2003-2004.
Minha indignação tem a ver com a mesquinhez da política institucional do Brasil. Sem convencer a mim e a muitos que Dilma cometeu algum crime, o rolo compressor da oposição ressentida e do oportunismo ontofisiológico de caciques do PMDB abriu a machadadas um atalho na ordem constitucional para fazer coincidir oposição e deposição. O precedente está criado! Daqui pra frente a tribuna parlamentar cede lugar ao tribunal de Justiça. A judicialização da política brasileira faz com que a soberania popular, através do voto nas urnas, passe a ter insignificância.
Os 3 primeiros governos do PT representam o que há de melhor em nossa combalida história republicana. Saíram …