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Mostrando postagens de Junho, 2014

Onde está Deus no sofrimento? - Ricardo Gondim

Por três anos baseei meus sermões no Evangelho de Lucas – o evangelho em que Jesus mais se aproxima do pobre. Ao me deparar com a narrativa do Gólgota, me senti constrangido. Depois de ler vários textos em que ele se mostrou empático com os sofredores, o Calvário era o seu momento de sofrimento. Eu, que nunca sofri horrores, me considerava indigno de tecer grandes argumentos sobre aquela hora tão difícil.
A narrativa da cruz, mesmo descontando a carga teológica que se construiu ao redor (some-se ainda a espetacularização hollywoodiana), permanece um dos mais pujantes relatos da história.
Jesus, o nazareno, foi assassinado sem motivo. A elite religiosa que dominava o templo judeu negociou com os poderes imperiais, incendiou uma pequena turba e conseguiu crucificá-lo. O filho de José não ameaçava o sólido império. Ele vinha da Galiléia, uma região remota e sem grande importância para Jerusalém, sede administrativa dos interesses romanos. Embora representasse uma esperança para os pobre…

Comportamento padrão de antipetistas no facebook

Nas minhas inserções debatedoras de política no facebook, elenquei 8 coisas se repetem com meus interlocutores quando sabem que sou petista. As exceções confirmam a regra:

1. Eles não são PSDB (nem PSB), são "apartidários".
Vem com essa: - "É tudo farinha do mesmo saco". Assim como advogados, professores, médicos, engenheiros, todo mundo e etc, né?!

2. Eles não gostam de comparações Governos FHC x Governos Lula.
Vem com essa: - "Eram épocas diferentes". As aprovações populares também são até hoje.

3. Os que inicialmente aceitam, logo desistem da via das comparações quando percebem que o PT ganha em todas.
Vem com essa: - "Discutir com petistas...etc." Enfim, aquela frase do pombo que eles dizem ser do Lobão, mas não é. Exatamente como na "síndrome do pombo": desistem do debate, derrubam as peças, cagam no tabuleiro e saem de fininho. Geralmente me xingam. Não necessariamente nessa ordem.

4. Eles não apresentam propostas alternativas ao …

Hoje é um dia simbólico no meio de um processo irreversível

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Sabe aquela sensação de acordar ansioso no dia do início da Copa do Mundo no seu país?! Pois é. 
Poucas vezes na vida a gente acorda sabendo que se trata de um dia a ser lembrado por gerações, no mundo inteiro. E que vai marcar nossa memória afetiva por toda a vida.

Lembro-me menino de 9 anos, jogo Brasil x Argentina na Copa de 90. Na casa da vovó, família reunida, churrasco, cerveja, meninada correndo e, fissurada, brincando de bola. Jogo difícil. Maradona e Caniggia deram números e sentimentos finais para marcar minha geração. Menino, chorei. Copiosamente, chorei nos braços de meu pai e tios que, sem quererem me deixar ver, também lacrimejavam enquanto tentavam me consolar. Eu não sabia que seria um dia histórico. Aqui escrevo e percebo que foi. Mas eu não sabia que aquele dia seria assim. Não acordei pensando disso. Na verdade, apenas experimentei - pela primeira vez na vida - o que significava a força da expressão "dia histórico": aquele dia ou momento em que, pelo resto…

Cada geração tem a Copa que a define - Márvio dos Anjos

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Há algo de bonito em ser um país que usa as Copas para recordar de si mesmo.
Perceba: não há uma conversa sobre o Mundial em que nossas memórias não sejam convocadas. Parece um caminho que facilmente nos explica, balizando o tempo em meio a nossas histórias e ainda define nossas gerações, como as guerras definem as gerações americanas e os golpes, as tailandesas. Pelas Copas, sabemos o que ouvíamos, o que sorríamos, o que chorávamos, com mais facilidade e precisão do que, por exemplo, pelos Carnavais.
Eu? Eu sou da geração que viu o mundo encaretar antes de ter idade para aloprar. Fechei os anos 80 com 11 anos, na zona oeste do Rio. Não cheirei na Hippopotamus, não tive blazer com ombreiras, perdi a virgindade com camisinha – algo impensável para os meus tios.
Quando virei adolescente – 12 anos em 1990 -, meu mundo tinha medo da Aids, da hiperinflação, dos excessos de cores e de 4-3-3 com um único cabeça de área. Era um ensaio do pós-Apocalipse: ganhávamos pouco, tudo perdia valor ra…