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Mostrando postagens de Maio, 2013

O que é arte? - Carmen Guerreiro

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Eu tirei essa foto em 2008, em uma exposição em Praga, na República Tcheca (está escrito, alternadamente, “isso é uma obra de arte” / “isso não é uma obra de arte”). A maior lição que tirei dela é algo que eu sempre senti, mas nunca tinha conseguido expressar: o sentimento de que a arte não significa a mesma coisa para todos. E diferentes tipos de arte tocam as pessoas de diferentes formas.
Lembro-me de quando minha mãe me levou para visitar a Bienal de Arte de São Paulo em uma de suas edições nos anos 1990. Eu era relativamente pequena, mas é até hoje uma das exposições que mais me marcou. O tema era a guerra, e me lembro que havia instalações interessantíssimas, como um lançador de pucks (a “bola” do hockey) que simulava uma arma. E você ficava grudado no vidro do outro lado, para sentir 1% do que é ter algo assim vindo em sua direção. Aí eu lembro da última Bienal que fui, em 2008 (acho, ou foi 2006), em que saí brava. Brava porque senti que minha ida até lá foi uma grande perda d…

Sinais do Espírito no mundo atual - Leonardo Boff

Desenvolveu-se, já há bastante tempo, toda uma teologia dos “sinais dos tempos” como forma de percepção de um desígnio divino para a história humana. Esse procedimento é arriscado, pois para conhecer os sinais precisa-se primeiramente conhecer os tempos. E estes nos dias atuais são complexos, quando não contraditórios. O que é sinal do Espírito para alguns pode ser um antissinal para outros.
Mas há alguns eventos que se impõem à consideração de todos, pois possuem uma evidência em si mesmos. Vamos nos referir a alguns pela densidade de sentido que contém.
O primeiro é sem dúvida o processo de planetização. Esta, mais que um fato econômico e político inegável, representa um fenômeno histórico-antropológico: a humanidade se descobre como espécie, habitando a mesma e única Casa, o planeta Terra, com um destino comum. Ele antecipa o que já Pierre Teilhard de Chardin dizia em 1933 a partir de seu exílio eclesiástico na China: estamos na antessala de uma nova fase da humanidade: a fase d…

Qual é o problema de ser introvertido? - Carmen Guerreiro

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Mais de uma vez, eu digitava quietamente no meu computador no trabalho (para os que não sabem, sou jornalista e trabalho em uma redação, em uma editora de revistas, e redações em geral mantêm um nível razoável de barulho e conversa) quando o diretor de redação comentou com o meu chefe, na minha frente:
“Mas ela não fala, não?” ou “Que silêncio nesse canto aqui, hein?”
Eu fico sem graça. Me sinto na obrigação de dar uma justificativa para o meu comportamento recluso, ainda que o comentário seja uma brincadeira. Eu poderia ser uma daquelas pessoas que contam as piadas que todos dão risada, que fazem um comentário sagaz sobre a conversa geral, mas não sou. Mas não é culpa do diretor de redação. Ele é uma pessoa bacana que apenas chamou atenção para uma opinião geral da sociedade: a de que extrovertidos são mais bem vistos do que introvertidos. Afinal, todos parecem gostar daquelas pessoas carismáticas, que têm um magnetismo natural, que falam bem em público, parecem estar cercados de a…

Evolução do "Quem sou" (atualizado em 23 de maio de 2013)

Fortalezense, flamenguista, católico, politicamente à esquerda, meio-campo que cadencia/acelera o ritmo de jogo e dá o passe-gol. José Braga Ribeiro Neto já passou dos 30 anos e se aventura na vida como profissional de Educação no meio de crianças, adolescentes, jovens e adultos. Muito bem casado, tem um pimpolho encarnado e esculpido, sua imagem e semelhança. Sujeito esforçado, cheio de conta pra pagar, mas insistente em conseguir vencer! Resiliente ou, quem sabe, teimoso mesmo, sempre assina "Na raça e na paz Dele". Apenas começa a se sentir - realmente - um "blogueiro" (depois de 500 posts). Já conseguiu identificar mais esse cromossomo no seu DNA. Curiosamente, este ativado por influência do meio. Acha que se aproveitou de uma certa veia que já tinha para escrever, mas que só se sentiu provocada quando descobriu este imensurável mundo virtual. Não costuma falar em 3a pessoa a não ser pra se apresentar neste perfil. O que lhe pareceu estranhíssimo... :P

Geração Y e as novas formas de lidar com o saber

Para o psicanalista Mário Corso, a geração Y é levemente contraditória: quer ser independente, mas pouco rompe a relação com os pais. Por: Patrícia Fachin
A partir da experiência e do contato com jovens no consultório, o psicanalista Mário Corso observa que o comportamento da chamada geração Y é diferente da juventude dos anos 1980, ou seja, daqueles jovens que nasceram entre as décadas de 1960 e 1970. A maneira como eles lidam com o saber, segundo Corso, é o aspecto que mais os difere de seus antecessores. “A cultura tradicional de que o ancião era o sábio foi decaindo com as últimas gerações e a geração Y levou isso ao paroxismo, ao ponto máximo, e inverteu essa questão: a idade não é garantia de nenhuma sabedoria para eles e isso leva a uma série de mal entendidos no sistema de aprendizagem, pois vários professores não conseguem lecionar para essa geração”. O fato de não respeitar a hierarquia, segundo Corso, não deve ser compreendido como um desrespeito, “não se trata disso e, sim…

Somos mesmo a juventude desmobilizada? - Carmen Guerreiro

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Passei minha vida toda ouvindo das pessoas mais velhas que minha geração (Y) e as gerações mais novas (Z) eram apolíticas, desmobilizadas, apáticas. Zumbis criados em frente à televisão e ao computador, incapazes de protestar e se articular. Ouvi tanto que juro que, por certo tempo, cheguei a acreditar, sem parar para questionar. Afinal, meus pais se conheceram na Libelu, movimento estudantil contra a Ditadura Militar, e meu pai chegou a ser presidente do DCE da USP nesse período de extremos. É claro que, na adolescência, eu me sentia culpada por não lutar por alguma causa nobre.
Hoje, no entanto, vejo as coisas de maneira bem diferente. Para mim, quem continua falando que a juventude é desmobilizada são pessoas paradas no tempo que não tentam entender que as formas de manifestação mudaram consideravelmente. O fato de nem todo jovem levantar um cartaz e fazer piquete não significa que não seja politizado (nem que essa forma de manifestação seja certa ou errada, mas que é apenas uma d…

Sobre pobreza de espírito - Carmen Guerreiro

“Adorei o seu sapato”, disse uma amiga para mim certa vez.
“Legal, né? Eu comprei em uma feira de artesanato na Colômbia, achei super legal também”, eu respondi, de fato empolgada porque eu também adorava o sapato. Foi o suficiente para causar reticências quase visíveis nela e no namorado e, se não fosse chato demais, eles teriam dado uma risadinha e rolariam os olhos um para o outro, como quem diz “que metida”. Mas para meia entendedora que sou, o “ah…” que ela respondeu bastou.
Incrível é que eu posso afirmar com toda convicção que, se tivesse comprado aquele sapato em um camelô da 25 de março, eu responderia com a mesma empolgação “Legal, né? Achei lá na 25!”. Só que aí sim eu teria uma reação positiva, porque comprar na 25 “pode”.
Experiências como essa fazem com que eu mantenha minhas viagens em 13 países, minha fluência em francês e meus conhecimentos sobre temas do meu interesse como linguística, mitologia, gastronomia e outros, praticamente para mim mesma e, em doses homeopát…

A direita brasileira tá ficando paranoica? - Marcelo Rubens Paiva

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Primeiro foi LOBÃO vir a público para nos alertar que o governo DILMA organiza um golpe comunista.
Hoje, o economista RODRIGO CONSTANTINO no Globo faz coro: “Lobão tem coragem de remar contra a maré vermelha, ao contrário da esquerda caviar, a turma ‘radical chic’ descrita por Tom Wolfe, que vive em coberturas caríssimas, enxerga-se como moralmente superior, e defende o que há de pior na humanidade. No tempo de Wolfe eram os criminosos racistas dos Panteras Negras os alvos de elogios; hoje são os invasores do MST, os corruptos do PT ou ditadores sanguinários comunistas.”
Está lá em: http://oglobo.globo.com/opiniao/mais-lobao-menos-chico-buarque-8375227#ixzz2THMPM4VC
Se Wolfe souber que foi usado neste [con]texto…
Outros alertas pipocam pelas redes sociais.
Um grupo que se autodenomina OCC Alerta Brasil diz: “Terroristas importados de Cuba pela Sra. Dilma para consolidação do comunismo cubano no Brasil. A Venezuela é Aqui.. Brasil em perigo. Acorda Brasil. Curta e Faça parte da OCC” [