Postagens

Mostrando postagens de Dezembro, 2012

2012: Para além de um "happy end".

Imagem
Uma última boa história do ano não é fácil de escolher. Até porque nem sempre se sobressaem as histórias "happy end" na nossa memória. Agora mesmo, não consigo deixar de pensar - na minha retrospectiva pessoal de 2012 - a gravidez interrompida de minha esposa e os 10 dias do João Pedro internado no hospital, nos meses de junho-julho. Na hora, talvez por instinto de sobrevivência, você procura encarar as coisas de forma mais "leve". Depois, no entanto, você se dá conta dos riscos corridos, perigos encarados e consequências imprevistas.  Meses após o acontecido, a professora do João Pedro nos chamava pra conversar, preocupada. Quando ele foi desenhar a família numa atividade corriqueira da aula, desenhou um "rimãozinho", sem conseguir explicar direito quem era. Pois é. Não fomos capazes de elaborar completamente essa perda, e João sentiu.

Não sei se eu chorei direito essa perda, mas pelo jeito, neste texto, Deus me dá uma oportunidade de sentir essa dor. N…

Um retrato do pensamento anti-lulista

Imagem
Orgulho corintiano - Marcelo Coelho
Acho que foi no ano passado. Imagens de um navio de cruzeiro ocupado por corintianos circularam pela internet.


Escondendo a fileira branca dos camarotes, uma vasta faixa da Gaviões atestava o triunfo popular. Em volta da piscina, homens e mulheres que não eram da Ford Models se punham à vontade, numa completa indiferença pela própria estética corporal.
Não me lembro se havia carvão e churrasquinho, mas a cerveja e o pagode corriam sem limites.
Aquelas fotos valiam como uma espécie de teste para o inconsciente político de cada um. A reação, de simpatia ou de repulsa, talvez valesse como sinal das atitudes mais instintivas do espectador com relação à era Lula.
Abuso, falta de senso, invasão, despreparo? O antilulismo pode ser, sem dúvida, a repugnância diante de uma “petralhada” que ocupa os espaços antes reservados às “pessoas de bem”.
Bem-estar, ascensão social, farra feliz? O cruzeiro corintiano seria exemplo dessa espécie de revolução benigna, des…

Que camisa você veste? - Rogério Oliveira

Imagem
Pense na seguinte cena: lá estava eu, feliz da vida com a vitória do meu time e a conquista daquele campeonato. Encontro um colega na rua e vou puxar assunto com ele. Pergunto-lhe se assistiu ao jogo final. Ele, rispidamente, com rancor nos olhos e ressentimento na fala me responde: “Você acha que eu vou perder tempo vendo esse time? Não sou vagabundo ou cachorro”. 
Não sei quem ensinou a este meu colega que toda pessoa que torce pelo meu time é vagabundo ou um cão. Pelo que me consta, meu cachorro nem torce pelo meu time. Pelo contrário, foge de qualquer manifestação de fogos de artifício. E eu não sou um animal como meu colega citou e nem um vagabundo.
Sei que você, leitor deste blog, é uma pessoa que busca ponderar as coisas. Claro que nenhum de nós está livre de cair nestas generalizações. Mas é preciso ter muito cuidado. Usei o exemplo do futebol, mas poderia usar a discussão da cor da pele, da origem étnica, da expressão religiosa, do gosto musical, da orientação sexual, do esta…

E se ele não tem grana? - Ivan Martins

Por que muitas mulheres ainda hesitam em se juntar a homens sem dinheiro.
Ponha-se no lugar da moça que eu conheço. Ela tem trinta e oito anos, gostaria de casar e ter filhos, mas o homem por quem está apaixonada não tem onde cair morto. É um sujeito culto, inteligente, idealista, sem a menor vocação para ganhar dinheiro. Mora num apartamento minúsculo e parece feliz em andar de ônibus e comer fora em lugares baratos, apesar de estar chegando aos 40 anos. A minha amiga não. 
O pai dela foi um provedor dedicado e um marido amoroso, que criou as filhas com desvelo, para viver e casar bem. Ela admite que, no fundo, gostaria de encontrar um homem prático e bem sucedido como o pai para começar sua própria família, mas, ao mesmo tempo, sente que ama o professor de olhos tristes. Se eles vierem a casar, está claro que viverão do salário dela, que é bom. Ela hesita. Diante da possibilidade de se tornar a provedora da casa, a primeira na história da sua família, ela morre de medo. Não era bem …

Palavras Vulcânicas 40

“Política é um assunto tão sério que não pode ser deixado só nas mãos dos políticos. Temos de reinventar uma maneira de fazer política, porque isso afeta a nós todos."
Mia Couto

Escritores da internet

Imagem
Como é fascinante escrever para a internet... Estou aguardando que alguém faça um estudo sobre o impacto que a rede causou nos que sempre escreveram para livros, jornais, revistas, rádio, televisão, cinema e teatro. Gente que escrevia como se seus textos tivessem uma só via: a de ida. A via da volta era complicada e as reações dos leitores perdiam-se no tempo e na dificuldade de contato com o autor. Ou então eram consolidadas em vaias ou aplausos, manifestações típicas de grupos de pessoas e não de indivíduos. Escrevíamos para um mundo de mudos.
Até surgir a internet.
De repente passamos a escrever e publicar com um clique, e um segundo depois receber as respostas dos leitores pelo mesmo canal. Os ex-mudos viraram escritores da internet. Fiquei fascinado! Poxa, finalmente eu conseguia perceber, quentinho como pão fresco, o impacto de meu trabalho sobre os leitores. E fui aprendendo que existe uma dinâmica no canal de resposta dos ex-mudos: sempre que publico um texto a reação imediat…

Prioridades Provinciais da PMBCN 2013-2015

As prioridades aprovadas no Capítulo da Província Marista do Brasil Centro-Norte, para o triênio 2013-2015.

1. Revitalizar a Vida Religiosa Marista, que propicie um novo jeito de ser Irmão, fortaleça as relações humanas e favoreça espaços de crescimento e cuidado, para sermos sinal profético de fraternidade entre nós e na missão.

2. Potencializar a missão evangelizadora, intensificando as relações entre as áreas: educacional, social, pastoral, administrativa, com ênfase na defesa dos direitos das crianças, adolescentes e jovens pobres.

3. Consolidar a governança corporativa e o equilíbrio econômico-financeiro, com posicionamento estratégico, em vista da vitalidade institucional.

4. Ampliar a cultura vocacional e os processos e experiências de formação conjunta de Irmãos, Leigas e Leigos maristas, na vivência de nosso carisma.

Niemeyer, o gênio. Azevedo & Veja: os rola-bostas

Imagem
Oscar Niemeyer, a Veja online e o Escaravelho 09/12/2012
Com a morte de Oscar Niemeyer aos 104 anos de idade ouviram-se vozes do mundo inteiro cheias de admiração, respeito e reverência face a sua obra genial, absolutamente inovadora e inspiradora de novas formas de leveza, simplicidade e elegância na arquitetura. Oscar Niemeyer foi e é uma pessoa que o Brasil e a humanidade podem se orgulhar.

E o fazemos por duas razões principais: a primeira, porque Oscar humildemente nunca considerou a arquitetura a coisa principal da vida; ela pertence ao campo da fantasia, da invenção e do lúdico. Para ele era um jogo das formas, jogado com a seriedade com que as crianças jogam.
A segunda, para Oscar, o principal era a vida. Ela é apenas um sopro, passageira e contraditória. Feliz para alguns mas para as grandes maiorias cruel e sem piedade. Por isso, a vida impõe uma tarefa que ele assumiu com coragem e com sérios riscos pessoais: a da transformação. E para transformar a vida e torná-la menos per…

O jornalismo deve ir atrás do lucro “saudável”

por Aline Fonseca - 03/11/2006 
Tratar temas de interesse social, que modificam a realidade em que vivemos, é um bom negócio para as grandes empresas jornalísticas. Ou pelo menos, deveria ser. Para o espanhol Carlos Alvarez Teijeiro, doutor em Comunicação Pública pela Universidade de Navarra, esse é o ponto de conciliação entre a sociedade de consumo e a promoção da cidadania. E é também o grande desafio do jornalismo nesse século: ir atrás do lucro "saudável".
Teijeiro esteve na Universidade de Brasília nos dias 5 e 6 de outubro, para ministrar o curso Fundamentos do Jornalismo Público, na Faculdade de Comunicação, e ajudou a divulgar o Jornalismo Público ou Civic Journalism, movimento surgido nos Estados com objetivo de colocar em pauta, nos meios de comunicação, temas de interesse da comunidade e do cidadão.
O especialista deixa claro que jornalistas não são meros observadores e que as empresas jornalísticas perseguem o lucro, mas também precisam se preocupar com as boas …

O melhor senso

Imagem
Recebo um e-mail de meu amigo Augusto:
“Outro dia fiz uma apologia ao ‘bom senso’. Eis que, lendo um livro pra loucos não tão velhos, descubro uma definição de Albert Einstein para o tal bom senso que sepultou de vez minhas (in)certezas: ‘Bom senso é o conjunto de todos os preconceitos que adquirimos durante nossos primeiros dezoito anos de vida‘. Noutra fonte descubro: ‘as opiniões de homens comuns; julgamentos sólidos e prudentes mas, em geral, não muito sofisticados’. Arrasado, notei o que me incomodava tanto... e o tal bom senso me levou a refletir muito antes de mandar um e-mail desmentindo minha fervorosa defesa anterior. Abaixo o ‘bom senso’, digo agora, e com ele todos aqueles que, como eu, o defendem tão inocentemente”.
O Augusto referia-se a um diálogo no qual falamos da necessidade de simplificar os processos, de aplicar o bom senso. Tomei o e-mail do Augusto como a descoberta de que aquilo que é considerado “normal” é exatamente o que nos coloca no mundo da mediocridade.

Pra você, estudante, que ficou de recuperação ou não.

Vale refletir:
Seria interessante que cada aluno, antes de se pronunciar publicamente sobre o funcionamento da escola em que estuda, fizesse um exame de consciência:
1 - Prestei atenção as aulas? 2 - Tirei minhas dúvidas, em sala? 3 - Estudei sistematicamente?
Um sistema avaliativo não é capaz de prejudicar uma pessoa que preencha estes requisitos, sou professora e acompanho isso de perto.
Agora, o comportamento de cada um impacta não apenas individual, mas coletivamente, e a dificuldade de se dar aula no universo das escolas particulares, é enorme. Colocar a responsabilidade no professor, na escola, no sistema avaliativo, é fácil, mas pode ser, no mínimo, injusto. 
Cabe fazer o exame de consciência acima, e só depois, falar.
Daiane Oliveira