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Mostrando postagens de Setembro, 2012

O "lulismo" não existe

'Lulismo', um conceito equívoco - Aldo Fornazieri
Nos últimos tempos surgiu uma profusão de estudos, menções e referências ao conceito de "lulismo". Autores das mais variadas tendências referem-se ao conceito. Basta citar Francisco de Oliveira, Ricardo Vélez Rodríguez e André Singer. Com Os Sentidos do Lulismo André Singer empreendeu o mais abrange esforço para entender o suposto fenômeno. Dentre os vários artigos, reflexões e o livro, há poucas referências inquiridoras sobre a pertinência ou o significado do conceito.
De modo geral, a referência ao "lulismo" é como se ele fosse um dado evidente da realidade. Parece ser predominante a ligação entre o conceito e os processos eleitorais de que Lula foi candidato ou protagonista importante. Para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o "lulismo" expressa uma apelo aos pobres e uma prática de conciliação geral das classes; para Francisco de Oliveira, trata-se de uma "funcionalização da pobrez…

O silêncio - Luis Fernando Veríssimo

A substituição da máquina de escrever pelo computador não afetou muito o que se escreve. Quer dizer, existe toda uma geração de escritores que nunca viram um tabulador (que, confesso, eu nunca soube bem para o que servia) e uma literatura pontocom que já tem até os seus mitos, mas mesmo num processador de texto de último tipo ainda é a mesma velha história, a mesma luta por amor e glória botando uma palavra depois da outra com um mínimo de coerência, como no tempo da pena de ganso.
O novo vocabulário da comunicação entre micreiros, feito de abreviações esotéricas e ícones, pode ser um desafio para os não iniciados, mas o que se escreve com ele não mudou. Mudaram, isto sim, os entornos da literatura.
Por exemplo: não existem mais originais. Os velhos manuscritos corrigidos, com as impressões digitais, por assim dizer, do escritor, hoje são coisas do passado: com o computador só existe versão final. O processo da criação foi engolido, não sobram vestígios. Só se vê a sala do parto depo…

Como o Ensino Religioso pode se tornar referencial estruturado de aprendizagem e interpretação da realidade?

Antes de tudo, é preciso reconhecer qual a natureza do que chamamos Ensino Religioso (ER). Ainda há, entre muitos, uma concepção quase unicamente ligada à preocupação por "formação em valores". Que existe, claro está. Mas não é sobre esse aspecto que se concentram os sonhos do ER como referencial estruturado de aprendizagem e interpretação da realidade. Para nossa instituição, trata-se de um componente curricular (assim como matemática, história, geografia, física, química, etc.) que, regulamentado pelo MEC, tem caráter científico. Isso significa que seu objeto de estudo é o “fenômeno religioso”, sendo vedadas todas as propostas que objetivem “catequizar” ou “ensinar doutrinas” específicas dessa ou daquela religião. A formação em valores é, dessa maneira, uma demanda de todos os componentes curriculares, não só do ER.
Esclarecido o parâmetro (superação da antiga concepção, marco legal e objeto de estudo), podemos, sim, afirmar que o ER tem excelentes possibilidades de inter…

A importância do Ensino Religioso como componente curricular

Capto a compreensão do ER como potente subsidiador de artefatos de leitura da realidade. Trata-se de um componente curricular que - situado no corpo das ciências humanas - é capaz de aproximar processos coletivos sem perder de vista as experiências particulares, dado que tocamos sensivelmente a pessoal dimensão da "fé". Essa confissão individual de um Símbolo de Fé norteia o comportamento moral e percepções de ética de milhões de indivíduos, conforme suas opções de adesão.
Um exemplo: O acontecimento que marcou efetivamente a virada do milênio parece ter sido o atentado terrorista às torres gêmeas em Nova Iorque. Mesmo num contexto de antipatia política do mundo muçulmano frente aos EUA, seria improvável que - sem motivações religiosas - meia dúzia de abnegados suicidas se prestassem a elaborar um plano tão complexo e destrutivo. Como toda ação religiosa, sabiam que feririam o coração simbólico do império americano, sem que efetivamente o destruíssem por completo. Buscavam …

O brasileiro tende a ser politicamente conservador

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Eis uma pesquisa capaz de nos fazer entender melhor o que já desconfiávamos: o brasileiro é conservador quando o assunto é eleição. Mas as nuances e aspectos relevantes podem ser melhor concebidos se lemos com atenção os resultados da pesquisa realizada pelo Datafolha, abaixo.
Inclinação conservadora em São Paulo impulsiona Russomanno RICARDO MENDONÇA EDITOR-ASSISTENTE DE "PODER"

Primeira constatação: em São Paulo, há mais eleitores identificados com valores conservadores do que liberais. Mas não em quantidade suficiente para formar maioria, pois um contingente considerável deve ser enquadrado na categoria mediana, nem conservador, nem liberal.
Segunda constatação: são os conservadores que estão dando impulso ao candidato Celso Russomanno (PRB), líder isolado na disputa pela prefeitura com 35% das intenções de voto.
No segmento dos conservadores, o maior na escala que classifica os eleitores em cinco grupos conforme suas inclinações políticas, Russomanno atinge 41%.
Todos ess…

O despertamento da consciência no contexto do Ensino Religioso e atividades práticas da Pastoral

Faz alguns dias dei uma entrevista, por email, a uma professora de nossa escola que precisava fazer uma pesquisa de campo sobre o “despertamento da consciência”. Era pra uma apresentação na pós-graduação. Segundo ela, o material abaixo enriqueceu sobremaneira as discussões realizadas e disse que os professores envolvidos nos parabenizaram pela profundidade do trabalho dela. Depois de reler, consegui ver com mais clareza o que havia escrito. E não é que ficou interessante mesmo?! Taí...postei.  --------- 1º) Qual a função que desempenha nessa instituição?  Coordenador de Pastoral. 
2º) Há quanto tempo você trabalha nessa instituição?  Desde agosto de 2006, ou seja, 6 anos. 
3º) Você trabalha com quais públicos?  Estudantes (crianças, adolescentes e jovens), professores, funcionários, técnicos, gestores, famílias, fornecedores e público externo. 
4º) Quando surgiu o seu interesse pelo trabalho que desenvolve?  Desde a adolescência, quando me engajei na minha comunidade paroquial de origem. Para…

Folha revela: petralha é lenda e PSDB é ficha suja

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publicada segunda-feira, 10/09/2012 às 14:54 e atualizada segunda-feira, 10/09/2012 às 14:23


Folha informa: petralha é lenda Por Paulo Moreira Leite, noVamos combinar

A liberdade de expressão permite que cada um fale o que quer e escreva como quiser mas às vezes a literatura deve ceder seus direitos a matemática.
Trazida ao mundo político durante o governo Lula, o termo “petralha” é uma falsificação, revela um levantamento da Folha de S. Paulo.
Ao juntar PETista com metRALHA, dos irmãos Metralha, de Disney, aquele que tinha simpatias pelo fascismo, o que se pretende é sugerir que o Partido dos Trabalhados é, como diz o procurador-geral da República, uma “organização criminosa.”
Será?
Analisando os 317 políticos brasileiros que foram impedidos de se candidatar pela lei Ficha Limpa, a Folha de S. Paulo fez uma descoberta fantástica.
Os petistas tem 18 candidatos que a Justiça impediu de candidatar-se em função daquilo que em outros tempos se chamava de folha corrida. Não é pouco, certamen…

A verdade (não) é uma só - Alfredo Roberto Marins Junior

Jesus respondeu: Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo,  a fim de dar testemunho da verdade.  Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade?   Jo 18,37b.38
Tenho o hábito de publicar, semanalmente, este artigo nas primeiras horas da quarta-feira. Este, entretanto, por um problema no provedor de serviços de Internet, acabou tendo sua publicação postergada em algumas horas.
Como todos nós temos, às vezes, problemas com a tecnologia, minha justificativa no atraso da publicação pode não ser aceitável, mas ao menos é cabível, já que ficar sem Internet vez por outra é uma experiência compartilhada.
Igualmente seria cabível se eu justificasse o atraso por conta da perda do arquivo do cartão de memória, aliada à falta de uma cópia de segurança, o que forçaria que o artigo fosse reescrito. Não exatamente aceitável, mas cabível.
A verossimilhança destas “desculpas” torna minha história muito próxima de uma verdade, o que de fato não é. Diferentemente teria sido se eu dissesse, por exemplo, que um ser …

Palavras Vulcânicas 35

"Desistir é para os fracos? Talvez. Mas é, antes, algo próprio dos perdidos. Desorientados. De quem não encontrou referências. Ou, pior, de quem nunca lhe foi possibilitado caminhar com as próprias pernas."  (J. Braga)

NEW ou OLD HIT? - Daiane Oliveira

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Considerações sobre o possível caso de estupro de duas menores, na Bahia.
Você percebe que vive numa sociedade doente, quando baseado no preconceito mais deslavado, a vítima é julgada pela sociedade, ao invés do réu. Soma-se, então, à violência do acontecimento, da situação, a violência do “julgamento social” invertido da situação, do acontecimento. 
Mais um caso desta inversão perversa aconteceu, agora envolvendo duas menores, que teriam sido estupradas por integrantes de uma banda de pagode, aqui na Bahia. O fato ganhou os noticiários, e as redes sociais, e muitos são os que atribuem ao comportamento das menores a culpa pelo acontecido. Ingênuos marmanjos rebolativos teriam sido envolvidos pelo canto da sereia das meninas, e embalados pelo milenar feitiço, foram levados a executar o ato torpe. Coitados, são dignos de pena, da pior pena possível, se forem confirmadas as acusações de estupro. 
Não é minimamente razoável pensar que um homem pode vir a ser obrigado a praticar uma coisa …

Com a ajuda dos amigos - Ivan Martins

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Não existe uma única maneira de viver, mas em todas elas os amigos são fundamentais
Percebi outro dia que parte dos casais que eu vi surgir no início dos anos 2000 não existe mais. Várias pessoas que começaram a namorar naquela época, e que nos anos seguintes viriam a casar e ter filhos, não estão mais juntas. Elas se separaram ou estão em processo de separação. Começam inclusive a formar novos pares. Algumas estão com pessoas totalmente novas, outras revisitam relações antigas. Os que estão sozinhos têm o ar de que ainda não se acostumaram à nova situação. 
Todos parecem estar bem, mas, ainda assim, um pedaço de mim entristeceu ao constatar as separações. 
Acho que a gente simplesmente não gosta que as histórias dos outros acabem. A vida das pessoas de quem a gente gosta deveria ser como um filme que termina, congela e se eterniza no beijo final. Assim ele pode ser repetido a qualquer momento. A gente quer um final feliz eterno porque estava lá quando os amigos se agarraram pela prim…

Sincericídio, as coisas que a gente revela, mas não deveria - Ivan Martins

Sem mais nem menos, você sonhou que duas ex-namoradas estavam no banco de trás do seu carro, se beijando. A cena é bonita e você acorda, feliz, para encarar sua linda mulher bocejando de sono. Faz o quê: divide com ela o seu entusiasmo com a fantasia inconsciente? Aproveita e diz que foi a segunda vez, em menos de dois meses, que você sonhou com a Fulana?
Você pode fazer as duas coisas ou apenas uma delas, mas saiba que essa atitude tem nome. Chama-se sincericídio - o ato de contar verdades íntimas que têm potencial para criar problemas no seu relacionamento.
OK, se você é uma mulher ou um homem maduro, que vive ou namora com uma pessoa igualmente madura, esta coluna não é exatamente para você. Gente madura talvez possa contar ao parceiro tudo o que sente, sem restrições e sem receios. Mas a maior parte dos casais está longe de ser assim bem resolvido. A maioria vive a dificuldade essencial das relações modernas, nas quais o anseio diário por liberdade e sinceridade esbarra - dia sim…

Afinidades essenciais - Ivan Martins

Quem acompanha esta coluna sabe que eu sou obcecado pela questão das afinidades. Vira e mexe, com desculpas diferentes, eu volto a esse tema. É que me parece, cada vez mais, que a forma como a gente escolhe os parceiros, ou como cada um de nós estabelece vínculos com eles, define a nossa vida. Ao menos a nossa vida afetiva, que é parte enorme de todo o resto.
Quando a gente é muito jovem, ser amado parece ser o problema essencial da nossa existência. A gente se apaixona com tanta facilidade, e com tanta frequência, que encontrar alguém que retribua na mesma intensidade parece a parte mais difícil da vida. À medida que o tempo passa, se você for honesto com você mesmo, vai perceber que a parte difícil da vida é gostar por muito tempo de alguém. Vai notar que as pessoas passam, algumas mais legais do que as outras, mas que apenas algumas delas, muito poucas, estabelecem com você um vínculo essencial. Essas pessoas que ficam são especiais – e a grande pergunta é por quê?
Os cientistas e…