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Mostrando postagens de Abril, 2011

Diferenciação - Tom Coelho

“Quando todos pensam igual é porque ninguém está pensando.” (Walter Lippman)

Dia destes entrei em uma loja Fran’s Café para um espresso com pão de queijo. Fiquei surpreso ao receber o café cuidadosamente apoiado sobre uma pequena bandeja, acompanhado de um elegante copo contendo água mineral gasosa e um folheto explicando tratar-se de uma tradição italiana: a água com gás aguça as papilas, enaltecendo o sabor do café que será sorvido. E toda esta atenção sem custo adicional.
Num destes finais de semana, dirigi-me a um cinema da rede Cinemark acreditando que, em virtude do grande número de salas, as filas seriam pouco significativas. Ledo engano. Apreciei fila para adquirir o ingresso, fila para acessar a sala e fila para comprar pipoca e refrigerante a preços aviltantes.
Meses atrás, resolvi retomar a prática da natação e fui ter um diálogo com minha antiga academia, a Runner. Solicitei-lhes uma condição diferenciada para regressar, mas responderam que eu deveria me adequar às normas vige…

Celebrando o fracasso

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Antes de me dedicar a palestras, podcasts, radio e internet, fui executivo de uma multinacional. Por pouco tempo, só 26 anos... Numa das mudanças da empresa, lá por 1993, tive a chance de montar para meu departamento um escritório completo a partir do zero. Chamei a arquiteta e falei:

- Sem paredes!
E construí o que foi durante alguns anos o escritório de meus sonhos. Todo mundo conectado, respirando o mesmo ar, agitando. Sempre gostei de ação, gente falando alto e andando pra lá e pra cá. Isso garantia um certo caos criativo, adrenalina, tensão e a sensação de que as coisas estavam acontecendo.
No dia da mudança surgiu um impasse: onde colocar os vários troféus, placas, quadrinhos e todo tipo de objetos que um dia marcaram alguma premiação, conquista ou celebração? Não tive dúvidas: comprei um cestão de lixo bem bonito e transparente e coloquei todos os troféus dentro dele, inclusive os novos. E deixei bem à vista, na entrada do departamento. A turma estranhou, mas logo entendeu a mensa…

Horizontes & Utopias

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"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".
Eduardo Galeano ---------------------- Na raça e na paz Dele, J. Braga.

Merthiolate e Educação: uma lição dos anos 80

Pode deixar que eu sopro, filho! Sidnei Oliveira
Chegou o dia de inaugurar o asfalto novo na rua. Depois de muito tempo sofrendo com terra e barro, finalmente ele teria a chance de andar de bicicleta por um piso livre de buracos e deformações.

Na nova realidade as manobras seriam mais arrojadas e com uma velocidade muito maior. As frustrações sofridas pelos constantes furos nos pneus de sua bicicleta, agora estavam com os dias contados.
Surgiram novas possibilidades e com a natural ansiedade juvenil, era inevitável que, no primeiro passeio pela rua reformada, ocorresse um pequeno acidente.
Com o joelho sangrando ele foi para a casa empurrando a bicicleta. Sabia que encontraria uma dor maior do que a que estava sentindo por causa do tombo.
Sua mãe tinha uma receita infalível para aquele tipo de machucado - aplicar álcool seguido de mercurocromo - passar por aquele “martírio” sempre fez ele ficar mais atento e evitar ou esconder os tombos. Contudo, daquela vez, o destino não pouparia o sofrim…

Espiritualidade pós-moderna - Frei Betto

O que caracteriza os tempos pós-modernos em que vivemos, segundo Lyotard, é a falta de resposta para a questão do sentido da existência. Por enquanto, estamos na zona nebulosa da terceira margem do rio.
A modernidade agoniza, solapada por esse buraco aberto no centro do coração pela cultura da abundância. Nunca a felicidade foi tão insistentemente ofertada. Está ao alcance da mão, ali na prateleira, na loja da esquina, publicitada em todo tipo de mercadoria.
No entanto, a alma se dilacera, seja pela frustração de não dispor de meios para alcançá-la; seja por angariar os produtos do fascinante mundo do consumismo e descobrir que, ainda assim, o espírito não se sacia...
A publicidade repete incessantemente que todos temos a obrigação de ser feliz, de vencer, de nos destacarmos do comum dos mortais. Sobre esses recai o sentimento de culpa por seu fracasso. Resta-lhes, porém, uma esperança, apregoam os que deslocam a mensagem evangélica da Terra para o Céu: o caráter miraculoso da fé. Jesus …

Análise Socrática dos tempos atuais do mundo virtual ao espiritual - Frei Betto

Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?' Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, só tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu …

Brasil é 3º país onde mais se crê em Deus, diz pesquisa

Estudo em 23 países indica que 84% dos brasileiros acreditam em existência de 'Deus ou de um ser supremo'

O Brasil foi o terceiro país em que mais se acredita em 'Deus ou em um ser supremo' em uma pesquisa conduzida em 23 países.
A pesquisa, feita pelo empresa de pesquisa de mercado Ipsos para a agência de notícias Reuters, ouviu 18.829 adultos e concluiu que 51% dos entrevistados 'definitivamente acreditam em uma 'entidade divina' comparados com os 18% que não acreditam e 17% que não têm certeza'.
O país onde mais se acredita na existência de Deus ou de um ser supremo é a Indonésia, com 93% dos entrevistados. A Turquia vem em segundo, com 91% dos entrevistados e o Brasil é o terceiro, com 84% dos pesquisados.
Entre todos os pesquisados, 51% também acreditam em algum tipo de vida após a morte, enquanto que apenas 23% acreditam que as pessoas param de existir depois da morte e 26% 'simplesmente não sabem'.
Entre os 51% que acreditam em algum tipo de vi…

Preconceito, Discriminação e Racismo

Preste atenção! Você é preconceituoso? Aposto que dirá que em vários momentos sim, afinal quem não tem algum preconceito? Mas se eu perguntar se você é racista, aí o bicho vai pegar. Vamos ver se hoje a gente consegue falar de preconceito, discriminação e racismo? Pra começar, uma frase de Nicolau Maquiavel:

Os preconceitos tem mais raízes que os princípios.
Bem, vamos lá. Discutir preconceito, discriminação e racismo não é mole. Vamos começar com um pouco de história. As primeiras concepções racistas modernas surgiram na Espanha, em meados do século XV, em torno da questão dos judeus e dos muçulmanos. Até então os teólogos católicos limitavam-se a exigir a conversão ao cristianismo dos crentes destas regiões para que pudessem ser tolerados. Mas rapidamente colocaram a questão da "limpieza de sangre" (limpeza de sangue). Não basta converte-los, "limpando-lhes a alma", era necessário limpar-lhes também o sangue. Só que acabaram por chegar à conclusão que o sangue, uma…

Homens e Deuses - O Filme

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Nesta semana santa, assisti o filme “Homens e Deuses”. Seguindo a recomendação da amiga e teóloga Maria Clara L. Bingemer e seu marido, fui ao cinema com o coração aberto, para ver o que Jesus me diria com este filme. Voltei extasiado e pensativo. A película, baseada em fatos reais, narra o fato de uma comunidade monástica de franceses que vivia como missionária na Argélia, numa pequena comunidade mulçumana. O perigo eminente de perseguição e assassinato, devido à corrupção do governo e a pressão de grupos fundamentalistas islâmicos leva a comunidade de 8 monges e se perguntar sobre o sentido de sua vida e de sua missão. E a reafirmar, com novo vigor, o compromisso assumido.
O filme testemunha algo que experimentamos também aqui na América Latina: o compromisso de vida de cristãos com a causa do Reino de Deus, a ponto de colocar em jogo a possibilidade da continuidade da existência. Na experiência de vida destes monges franceses ecoa o mesmo Espírito que mobilizou Dom Oscar Romero, Irm…

O pastor herege - Entrevista de Ricardo Gondim a Revista Carta Capital

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Carta Capital n˚ 643
O pastor herege
“Deus nos livre de um Brasil evangélico”, diz o religioso crítico dos movimentos neopentecostais.
“Deus nos livre de um Brasil evangélico”. Quem afirma é um pastor, o cearense Ricardo Gondim. Segundo ele, o movimento neopentecostal se expande com um projeto de poder e imposição de valores, mas em seu crescimento estão as raízes da própria decadência. Os evangélicos, diz Gondim, absorvem cada vez mais elementos do perfil religioso típico dos brasileiros, embora tendam a recrudescer em questões como o aborto e os direitos homossexuais. Aos 57 anos, pastor há 34, Gondim é líder da Igreja Betesda e mestre em teologia pela Universidade Metodista. E tornou-se um dos mais populares críticos do mainstream evangélico, o que o transformou em alvo. “Sou o herege da vez”, diz na entrevista a seguir:
CartaCapital: Os evangélicos tiveram papel importante nas últimas eleições. O Brasil está se tornando um país mais influenciável pelo discurso desse movimento? Ricardo …

A vida sem internet

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FHC tira a máscara - Mauricio Dias

“Ele é um presidente definido por lei que está fazendo o que o país dominante quer que ele faça” Avaliação do governo de FHC feita por Raymundo Faoro, em 15/5/2002.
Finalmente, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, suposto arauto da social-democracia brasileira, entrou no trilho adequado. Foi preciso mais de oitos anos, além de três fracassos eleitorais sucessivos na disputa presidencial, para que ele jogasse fora a máscara da social-democracia e assumisse o papel de expressão política da classe média. O sociólogo faz isso agora, na condição de presidente de honra dos tucanos.
“Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT a influência sobre os “movimentos sociais” ou o “povão”, falarão sozinhos”, sentencia FHC em artigo escrito para a nova edição da revista Interesse Nacional, que começou a circular na quinta-feira 14.
Nada de mal. É bom para o País que o rio corra no seu leito natural. Nada de mais. A minoria precisa de alguém que defenda seus valores. O ex-presi…

E FHC abandonou o “povão” - André Cintra

FHC desagrada a tucanos e escancara viés elitista do PSDB

O polêmico artigo “O Papel da Oposição”, assinado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e divulgado nesta terça-feira (12), constrangeu lideranças do PSDB e acirrou a crise dos partidos oposicionistas. Num momento em que tucanos como o governador Geraldo Alckmin (SP) e o senador Aécio Neves (MG) tentam se aproximar das centrais sindicais e de segmentos populares, FHC apregoa, no texto, que o PSDB deve abrir mão tanto dos movimentos sociais quanto do “povão”.
“As oposições se baseiam em partidos não propriamente mobilizadores de massas. A definição de qual é o outro público a ser alcançado pelas oposições e como fazer para chegar até ele e ampliar a audiência crítica é fundamental”, escreve o ex-presidente. Segundo ele, o PSDB tem de dialogar com “toda uma gama de classes médias” — único público que, a seu ver, não sofre a influência do “lulopetismo”.
“Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influênci…

Vocação: ainda existe? - Leo Lama

COMPRAR CARRO, CASA, ENRIQUECER, TER PRAZER E SUCESSO, A ISTO SE RESUME A VIDA? MUITAS TERAPIAS E IGREJAS DE OCASIÃO ASSUMEM O DESCONFORTO EXISTENCIAL DOS ADOLESCENTES PERDIDOS
Mais do que uma provocação, a pergunta do título é sincera e investigativa. A vocação, um dia centro da existência humana, a cada ano é relegada a um papel secundário, quase inexistente nos locais onde deveria ser incentivada a sua busca. Ou escuta, para ser mais exato, lembrando que a palavra vem do verbo latino vocare, e quer dizer "chamar". Portanto, quem atua por vocação sente que é chamado por uma voz, que pode ser a de Deus, a da humanidade, da História, ou mesmo a do sentido da vida, como queiram. Mas o que pais, professores e amigos falam sobre vocação aos jovens de hoje? O que se sabe sobre o assunto? Ser vocacionado durante muito tempo era sinônimo de ser poeta, artista ou músico, e ser profissional ou “sério” era ser engenheiro, médico ou advogado. Mas, a atividade profissional não representa…

Aécio foi pêgo na Lei Seca. Mas e se fosse o Lula?

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Na raça e na paz Dele, J. Braga.

Papo cabeça com Mr. Classe Média

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Na raça e na paz Dele,
J. Braga.

Em vez de tudo por dinheiro, dinheiro por nada - Zé Rodrix

Ao contrario de Ziraldo e Jaguar, que se uniram ao imenso exército de outros tantos famosíssimos recebedores de indenizações por maus-tratos durante a ditadura militar, o Brasil nada me deve: quer eu queira, quer não, o Brasil é a minha terra natal, de cuja cultura e língua me alimentei integralmente, sem selecionar de onde ela vinha ou se o depositário dela estava momentaneamente do mesmo lado ou em lado oposto ao meu. Nunca fiz seleção de cor da pele, de estado natal, de partido político ou de crenca religiosa: tudo que for brasileiro sempre me interessa, sem reservas de qualquer espécie, e nisto estão tanto as benesses quanto as desgraças de que fomos herdeiros ou vítimas, nestes anos todos.
Teria, certamente, grande dificuldade de transformar em quantia monetária aquilo que o Brasil me deu, de bom e de ruim, e que forma a minha alma na sua totalidade, porque a alma brasileira nunca seleciona ingredientes para sê-lo, e eu certamente acabaria devendo mais que cobrando. Se durante mui…

Quando as mulheres viajam - Ivan Martins

Tenho um amigo que adora se gabar das farras que faz quando a mulher viaja. “Eu deito e rolo”, diz ele. “Deixo toalha molhada no sofá da sala, leio até as três da manhã e largo a latinha de cerveja em cima da televisão”. Praticamente um animal indomável... 
Houve um tempo, no passado recente, em que esse tipo de conduta seria quase reprovável. Homem que era homem tinha de aproveitar a ausência da mulher e mandar bala. O adultério não era apenas prerrogativa masculina, era norma de conduta, quase uma exigência. O sujeito que não traísse a mulher ao menos de vez em quando não era apenas bobo, era frouxo. 
Tanto quando eu percebo, essa mentalidade mudou, radicalmente. 
Hoje em dia, entre as pessoas com que eu convivo, o adultério público não tem espaço. O sujeito que engana a mulher ou a namorada à vista de todos tornou-se mal visto, inclusive pelos outros homens. O desrespeito público pela parceira virou coisa de mau gosto. Reflete falta de educação. Cabeça ruim. É como arrumar briga na ca…

A inércia

Há exatos dez anos, depois de retornar de uma viagem transformadora ao Everest e observar nosso cenário político, social e cultural, concluí que o Brasil estava emburrecendo. E decidi resistir. Minha causa passou a ser o que chamei de “despocotização” do Brasil. Escrevi centenas de artigos, lancei livros, sites e palestras. Passei a comentar no rádio. E aos 52 anos deixei um sólido emprego para mergulhar na aventura de ser um empreendedor cultural brasileiro.
Não é fácil, viu? Todo dia é uma luta, mas acordo de manhã com uma coisa preciosa que havia perdido: tesão. O tesão de saber que estou lutando por algo que vale a pena, muito maior que simplesmente ganhar algum dinheiro. A causa que defendo, meu propósito, me anima, me motiva, me deixa disposto a seguir em frente. Deixa-me louco por brigar. Tira-me da inércia.
Issac Newton escreveu que “um objeto que está em repouso ficará em repouso até que uma força desequilibradora atue sobre ele.” É a Lei da Inércia, que se aplica a nossas vida…

A mídia que nos desabitua a pensar

A imprensa nos leva a julgar por meras impressões e, dessa maneira, nos induz a não-reflexão. Quando você recebe uma informação dela, já a recebe pelo filtro do próprio canal de comunicação pelo qual você optou se informar. Fique de olho! Nenhum jornal, TV, portal, rádio é completamente isento e desinteressado. Abaixo segue um bom fragmento de uma opinião expressa pelo escritor Luciano Pires.


Incontestavelmente foi a imprensa, com a sua maneira superficial e leviana de tudo julgar e decidir, que mais concorreu para dar ao nosso tempo o funesto e já irradicável hábito dos juízos ligeiros. Em todos os séculos se improvisaram: em nenhum, porém, como no nosso, essa improvisação impudente se tornou a operação corrente e natural do entendimento. Com exceção de alguns filósofos mais metódicos, ou de alguns devotos mais escrupulosos, todos nós hoje nos desabituamos, ou antes nos desembaraçamos alegremente do penoso trabalho de refletir. É com impressões que formamos as nossas conclusões. Para …

Sensacionalismo em Realengo

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Em busca da notícia (e de cenas dramáticas) em Realengo

Escola Municipal Tasso da Silveira. Terça-feira, 19 de abril, 7h50 da manhã. Próximo ao portão, o repórter de uma emissora de televisão entrevista um aluno que volta ao colégio pela primeira vez desde o massacre de 7 de abril. Acompanhado da mãe, o garoto deve ter uns 10 anos e muito pouco a dizer. Ao final da entrevista, o jornalista os orienta a recuar 20 metros, para o câmera poder filmá-los chegando. Ele explica: “Vem de lá, aí quando estiver perto do portão você se despede e dá um beijinho nele”. A mãe faz exatamente o que ele pediu.
Enviado pelo UOL Notícias, passei dois dias diante do portão da Tasso da Silveira. Na segunda-feira, houve o retorno às aulas das crianças no 9º ano. Na terça, de todas as demais. Fiquei impressionado com a tensão e o desespero dos repórteres e câmeras de televisão. Além do empurra-empurra para conseguir imagens banais, presenciei inúmeras situações como a descrita acima, em que os colegas agem co…

Papo sério: "insulto vertical" é a técnica do Mainardi

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Há lições que a gente nunca esquece

Nunca ouvi tanto silêncio no colégio. A oração pelo som que padre Marcos conduziu na manhã do dia 14 de abril de 2011 foi, talvez, a mais impactante da vida dessa comunidade educativa. Foram vinte minutos de relógio, quinze a mais do normal. Mas quem se deu conta? Como faço de vez em quando, na hora da oração pelo som, procurei circular por corredores, pátios, sala dos professores para sentir como vivenciamos essa experiência orante nos diversos espaços do Marista Patamares. Busco observar a postura de professores, auxiliares de disciplina, coordenadores, pais e estudantes. Para mim, funciona como um indicador sobre nossa espiritualidade. Nesse dia, foi lindo. 
Pouco consegui guardar da reflexão que fez nosso capelão, confesso. Mas foi por um bom motivo: enquanto caminhava, não conseguia deixar de admirar a grandiosa reverência que se fazia à vida de L. S., 5 anos, estudante do 2º Ano da Educação Infantil, de pró Norma. Ele havia falecido no dia anterior em decorrência de um acidente d…

FHC quer o subtucanismo sem povo! - Rodrigo Vianna

Em algum momento, lá pelo fim do segundo mandato de Lula, quando o presidente operário bateu em níveis inacreditáveis de popularidade, FHC foi tomado pelo pânico. Escreveu, então, um artigo (acho que no “Estadão”) qualificando o lulismo de “subperonismo”.
Quem conhece a Argentina e o Brasil sabe que no país vizinho Perón é uma presença ainda hoje dominante na política. Curioso: os argentinos desmontaram o Estado criado por Perón (e o autor do desmonte foi, esse sim, um subperonista – Carlos Menem, homem de costeletas largas e pensamentos curtos), mas o peronismo persiste como referência quase mítica no discurso político.
Nós, brasileiros, somos mais pragmáticos. Aqui, Vargas praticamente sumiu do imaginário popular. Mas sobrevive no Estado brasileiro – que FHC tentou desmontar. Vocês se lembram? Em 94, pouco antes de assumir a presidência, o tucano disse que uma das tarefas no Brasil era “enterrar a era Vargas”. Não conseguiu. Vargas sobrevive no BNDES, na Previdência Social, no salário…

Eu, meu filho, meu irmão.

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Esses dias fui visitar minha família na minha terra. Aproveitamos pra tirar algumas fotos emblemáticas. Abaixo, por exemplo, dá até pra brincar do jogo dos 7 erros...

Na raça e na paz Dele, J. Braga.

Hitler x Lula: nada a ver!

Num debate pela internet, meu respeitável contra-argumentador fez uma comparação apressada entre Hitler e Lula. Falei do que era um sofisma, do que ele cometia. Não pretendo replicá-lo, mas confira o núcleo do debate.
Basta-me desvelar que Hiltler nunca chegou exercer liderança nenhuma sobre o "mundo". Olhe lá na Alemanha, em que hoje em dia superabundam produções literárias desautorizando identificar a população alemã como uma "massa-disforme-e-ganadeira-a-seguir-seu-líder-inspirador". Não! Hitler era um ditador. Hitler liderava sob da aura do medo e da coação. Hiltler encurralou a população de seu país e liquidava quem ousasse questionar seu partido nazista. Em uma palavra, Hitler era um monstro. 
Acho que ficou claro.
Lula ainda não é, mas seu patamar chegará próximo ao de outras figuras reconhecidas pelo povo (e também por massas) como líderes mundiais que gastaram suas vidas por causas como: liberdade (Mandela), igualdade racial (King), dedicação aos mais pobres …

Sobre o referendo do desarmamento por "gente de bem"

Não concordo que "gente de bem" seja incapaz de usar um revólver para disparar contra alguém, seja um meliante ou um simplesmente um vizinho que não poda a árvore do quintal dele e que fica sujando o meu há anos. Basta que ele me pegue num péssimo dia e momento. Ter a arma, legalmente, ao meu alcance pode me facilitar cometer um despropósito. Para morrer, basta estar vivo. Para matar, basta uma arma de fogo.
O simples fato de enfrentar toda a burocracia que JÁ existe para se ter legalmente uma arma já denota alguma inclinação...e perigo!
O único real problema em se propor outro referendo é quem foi posto (pela mídia) a empunhar a bandeira: José Sarney. O simples fato de ELE ser identificado como articulador dessa proposta já compromete as pessoas de bem que querem o desarmamento da população.
Eu sou pessoa de bem e me acho incapaz de dar um tiro em alguém, até que me ponham à prova e eu esteja com algum revólver em punho.
Pra mim o que se sobressai é ter os meus longe de tiros (…

Viva Colombia! Nunca se me olvida...

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No reino da implicidade

Lidamos diariamente com o implícito. Que também chamamos de tácito. Ou de subentendido. Vou dar um exemplo. Ouça esta frase: 

Marina Silva, apesar de mulher, é uma pessoa inteligente. 
Você sacou o preconceito implícito na frase? Se for mulher, sacou na hora... Dizer que Marina, apesar de mulher, é inteligente é dizer implicitamente que toda mulher é burra. 
Outro exemplo: A Ciça é palmeirense, mas é boa gente. 
Sacou o implícito? É que “palmeirense” normalmente não é boa gente... 
Ela tá louca da vida lá. Não esperneia não, vamo lá... 
Tá bom, tá bom, vou com outro exemplo: 
O Luciano é Corinthiano, mas às vezes erra. Viu só? O significado implícito é que Corinthiano sempre acerta... 
Usamos o implícito até sem perceber, muitas vezes parecendo preconceituosos. Mas tem gente que sabe usar o implícito muito bem para dar seus recados. Gente que sabe manipular a linguagem para dizer não parecendo que disse sim...
E no universo profissional então, somos os reis. Aliás, pela minha experiência de tr…

A leitura dos jornais nos torna estúpidos? - Rubem Alves

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O nome não me era estranho. Eu já o vira de relance em algum jornal ou revista. Mas não me interessei. Aquele nome, para mim, não passava de um bolso vazio. Eu não tinha a menor idéia do que havia dentro dele. Fui então até minha secretária e lhe perguntei envergonhado: ‘Natália, quem é Adriane Galisteu?’ Esse era o nome do bolso vazio. Ela deu uma risadinha e me explicou.  A resposta é a tradicional: ‘A missão da imprensa é informar.’ Pensa-se que, ao informar, a imprensa educa. Falso. Há milhares de coisas acontecendo e seria impossível informar tudo. É preciso escolher. À medida em que ela explicava, as coisas que eu havia lido começavam a fazer sentido e eu me lembrei de uma história que minha mãe contava: uma princesinha linda que, quando falava, de sua boca saltavam rãs, sapos, minhocas, cobras e lagartos... Terminada a explicação, fiquei feliz por não ter lido. Lembrei-me de Schopenhauer: ‘No que se refere a nossas leituras, a arte de não ler é sumamente importante. Essa arte co…

O que me provoca a tragédia de Realengo?

Do sofá, a gente liga a TV: tsunami no Japão com iminência de ecatombe nuclear, guerra na Líbia, Portugal quebra e pede ajuda ao FMI, aumento vertiginoso do preço do barril de petróleo, enfim. Com a habitual tibieza, boa parte dos brasileiros segue zapeando os canais de seu televisor em busca de distração. Em geral: futebol e novela. Mas nem tanto. A tragédia das crianças assassinadas covardemente por um desequilibrado numa escola pública do Rio de Janeiro, caso inédito em terras tupiniquins e algo impensável para um país que se considerava imune a esse tipo de violência, mexeu profundamente com nossas sensibilidades. Machucou mesmo. Muito.


Nunca ouvi tanto silêncio no famigerado "minuto de silêncio" ignorado pelas Organizadas em arenas lotadas. E não foi só em estádio carioca. Por todo o país, os "minutos de silêncio" se multiplicaram e, impressionantemente, calaram no coração de flamenguistas, botafoguenses, corintianos e palmeirenses. Para mim, algo percebido com…

Palavras Vulcânicas 16

“A educação se divide em duas partes: a educação das habilidades e a educação das sensibilidades. Sem a educação das sensibilidades, todas as habilidades são tolas e sem sentido.” (Rubem Alves)

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O massacre dos brasileirinhos - Ruth de Aquino

Achávamos o Brasil imune a chacinas escolares “do tipo americano”. Já encaramos tantos problemas tão nossos. Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, tinha lugar cativo na música brasileira. Foi imortalizada por “Aquele abraço”, uma das composições mais cantadas de Gilberto Gil. Ironicamente, a letra, feita no exílio da ditadura em 1969, começava com “O Rio de Janeiro continua lindo”. E o estribilho, “Alô, alô, Realengo, aquele abraço”, era um recado para o quartel em que Gil ficara preso.
Agora, nosso abraço sentido e solidário vai para uma outra Realengo, aturdida, que reza, enche de flores a rua, acende velas e doa as córneas das crianças mortas para tentar tocar a vida adiante.
Todos procuram na história do atirador, Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, os motivos que o tornem único. Era muito mau, muito louco, um animal, um psicopata, um esquizofrênico e se matou. Logo, isso não voltará a acontecer. Certo? Errado. O que podemos fazer para tentar evitar novos massacres de b…

Igreja mergulha em longo processo neoconservador

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Entrevista especial com João Batista Libanio IHU - Unisinos  Instituto Humanitas Unisinos 
Adital  por Vanessa Correia

Recentemente, teólogos e teólogas alemães, suíços e austríacos, lançaram um manifesto propondo reformas para a Igreja em 2011. A convite da IHU On-Line, o teólogo João Batista Libanio leu o documento e analisou as propostas, concedendo por e-mail a entrevista a seguir. Resumindo, ele é enfático: "A tônica do projeto do Papa e a do manifesto divergem”. 
Com a experiência de quem presenciou "nítidos momentos no processo eclesiástico” da Igreja nas últimas décadas, Libanio ressalta que o manifesto "alude ao fato de que em 2010 ‘tantos cristãos, o que jamais ocorrera antes, deixaram a Igreja e apresentaram à autoridade da Igreja a desistência de sua pertença ou privatizaram sua vida de fé para defendê-la da instituição’”. A constatação do êxodo cristão, entretanto, "não abala a convicção do projeto de manter uma Igreja, embora minoritária, mas fiel aos ens…