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Mostrando postagens de Janeiro, 2011

SustentHABILIDADE

A onda agora é "sustentabilidade", depois de "qualidade total", "foco no cliente", "parceria", "inovação", "responsabilidade social" e etc. Todo mundo fala em sustentabilidade, as propagandas informam como as empresas estão interessadas no assunto e grandes debates, como o da hidrelétrica de Belo Monte, tem o tema em suas raízes. O conceito é muito bom e foi usado pela primeira vez em 1987 por uma política e médica norueguesa chamada Gro Harlem Brundtland. Ela escreveu num documento da ONU mais ou menos o seguinte: "Sustentabilidade é o desenvolvimento que atende as necessidades do presente sem comprometer a habilidade das futuras gerações de atender a suas próprias necessidades."Muito bom, não é? Atuar no presente ciente de nosso impacto e influência no futuro. Pois é. Então lembro que escrevi anos atrás um texto chamado "Coração Empresarial" no qual eu dizia:
"Nas minhas andanças pelos EUA no começo d…

Palavras Vulcânicas 9

"É Cristo mesmo que nos ama através dos nossos verdadeiros amigos”. [Bento XVI]

É dando que se recebe? - Leonardo Boff

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Estamos em tempos de montagem de governos. Há disputas por cargos e funções por parte de partidos e de políticos. Ocorrem sempre negociações, carregadas de interesses e de muita vaidade. Neste contexto, se ouve citar um tópico da inspiradora oração de São Francisco pela paz "é dando que se recebe” para justificar a permuta de favores e de apoios onde também rola muito dinheiro. É uma manipulação torpe do espírito generoso e desinteressado de São Francisco. Mas desprezemos estes desvios e vejamos seu sentido verdadeiro.
Há duas economias: a dos bens materiais e a dos bens espirituais. Elas seguem lógicas diferentes. Na economia dos bens materiais, quanto mais você dá bens, roupas, casas, terras e dinheiro, menos você tem. Se alguém dá sem prudência e esbanja perdulariamente acaba na pobreza.
Na economia dos bens espirituais, ao contrario, quanto mais dá, mais recebe, quanto mais entrega, mais tem. Quer dizer, quanto mais dá amor, dedicação e acolhida (bens espirituais) mais ganha co…

A vida parece que anda a mil por hora - 2

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Hoje estou fazendo uma espécie de faxina virtual no meu blog. Uma por uma, estou verificando cada postagem, o que escrevi, corrigindo erros de digitação (outros ortográficos mesmo), colocando tudo numa fonte mais legível, acertando os excessos e faltas de espaços entre palavras e entre parágrafos, eliminando as reticências (como escrevia com reticências, pôxa!), enfim. Ainda nem terminei, mas dei de cara com uma postagem que me fez parar pra escrever. Foi o "A vida parece que anda a mil por hora..." (com reticências, repare). Naquele então, escrevi sobre a minha despedida de Salvador no fim de 2008, após a venda do colégio do Canela e minha transferência para o colégio de Natal-RN. Engraçado ter lido corrido os diferentes momentos que vivi naquele período. 
Rever os recortes da minha vida aqui registrados, com especial ênfase no título que é agora reaproveitado, só me fez experimentar, com certa serenidade, o quão efêmera é a vida. O quão grande é a porta do futuro. Para quem…

Música boa pra o coração!

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Fiquei sabendo pelo portal Jovens Conectados de uma iniciativa bem legal. Trata-se do projeto "Louvor Acústico" que reúne jovens talentos da música católica de diversas regiões do país. Pelo que percebi, os cantores não são, ou pelo menos, não representam nenhuma das grandes comunidades católicas já melhor estruturadas. São artistas "independentes" que simplesmente se sentem vocacionados a dedicar sua voz talentosa a Deus. Para quem já conseguiu fazer a associação, sim, tem a ver com o projeto Acústico de uma grande TV ligada a temáticas jovens. As músicas gravadas são grandes sucessos da música católica. Maravilha!

Quem quiser conferir ou colher mais detalhes dessa iniciativa louvável, é só conferir no portal dedicado à divulgação do Projeto Louvor Acústico.
Parabéns aos idealizadores! As Juventudes merecem!
Na raça e na paz Dele, J. Braga.

Ainda disse que seria mais um "sacrifício"!

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Palavras Vulcânicas 8

Vivemos em um mundo competitivo, habitado por pessoas orgulhosas e vaidosas, que quase só pensam em resultados e que gostam mais de serem aplaudidas que amadas. [Tostão]

Grupos com poucos ou muitos jovens?

Tá na base ou tá na massa? Rogério Oliveira
Há tempos eu venho participando de comunidades, listas, perfis, grupos virtuais, blogs, fóruns e tudo que possa ser ligado à Pastoral da Juventude seja por e-mails, páginas ou redes sociais da Internet. Tem muita gente boa fazendo coisas fantásticas por aí. É só dar uma busca e você vai achar um bocado de coisas interessantes. 
Mas nestes mesmos lugares onde encontramos tantas maravilhas, também encontramos muita gente querendo começar alguma coisa ligada a PJ sem saber direito como fazê-lo. Há jovens aprendendo na tentativa e erro. Há outros buscando fora da PJ experiências que nada tem a ver com a nossa prática pastoral. E, pior, chamando esta nova prática de grupo da pastoral da juventude.
Este blog nasceu com alguns objetivos. Um deles era partilhar o que é básico na PJ para tanta gente que tenta realizar esta prática pastoral, mas não sabe direito por onde começar. Um dos conceitos básicos da PJ que vem se perdendo por aí, até de gente pejo…

Da Série: Pra fazer pensar...

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Quem manda aqui sou eu!

O rei dos deuses (de uma das muitas mitologias humanas) descobriu num certo dia, que os outros deuses-reis tinham seres humanos para venerá-los. Ele não sabia ao certo o que eram seres humanos, mas queria ao menos um para ele também.
Chamou o ferreiro celeste e pediu-lhe que usando sua habilidade, construísse um ser humano. O ferreiro ficou com vergonha de assumir sua ignorância sobre a confecção de tal criatura, sem saber que o rei dos deuses também não tinha a menor idéia de como fazê-lo.
Em vez de responder imediatamente, pediu um tempo para pensar, e por uma semana meditou como escapar desta tarefa difícil sem atrair sobre ele, ou seus familiares, a fúria do rei dos deuses. Num momento de inspiração, encontrou a resposta.

Esquentando as Juventudes

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Setor Juventude lança subsídio que ajuda na realização das Jornadas Diocesanas da Juventude
O subsidio será lançado pelas Edições CNBB e foi elaborado sob a coordenação do bispo referencial do Setor Juventude, da CNBB, dom Eduardo Pinheiro e do assessor da Comissão, padre Carlos Sávio Ribeiro. A assessoria aos jovens foi feita pelo estudioso das Jornadas Mundiais da Juventude, Erofilho Cardozo, e pela assessora do Setor Universidades da CNBB, irmã Maria Eugênia Lloris.

O material de 2011 visa ajudar os jovens a se prepararem para a celebração da Jornada Diocesana da Juventude e tem como subtítulo o tema da Jornada Mundial da Juventude, que acontece em Madri, na Espanha, no mês de agosto.
O subsídio dá dicas e sugestões para essa preparação, abrindo espaço para a criatividade e a adaptação às realidades dos jovens. O documento propõe a realização de três encontros: primeiro, enfocando a relação pessoal com Jesus Cristo. Segundo, dedicado à vivência do jovem na Igreja e, por último, voltad…

O complexo pensamento de Edgar Morin

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Em palestra na Fafich, intelectual francês criticou economistas por se isolarem do resto das ciências humanas  Maurício Silva Júnior


É preciso reagrupar os saberes para buscar a compreensão do universo". Dessa maneira, o pensador francês Edgar Morin resumiu parte de sua teoria do pensamento complexo, tema que o trouxe à Fafich, no dia 15, para um debate com a comunidade universitária. Morin falou para uma platéia atenta, que lotou o auditório Sônia Viegas. Compondo a mesa estavam os professores italianos Gianluca Bocchi, Mauro Ceruti, Telmo Pievani e Oscar Nicolau, além da diretora da Fafich, Vera Alice Cardoso.
Através do pensamento complexo, Morin procura restituir um "conhecimento que se encontra adormecido", reagrupando unidade e diversidade. Com o passar dos tempos, as teorias restringiram-se a estudos por área e a complexidade das questões do homem tem sido pouco compreendida. Na opinião de Morin, os pesquisadores deveriam inscrever a competência especializada num co…

Para se refletir numa reunião

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Passageiros e Tripulantes - Luciano Pires 


Durante minha vida como executivo enfrentei milhares de reuniões de todo tipo. No começo da carreira, jovem e inexperiente, eu admirava a habilidade com que aqueles altos executivos tomavam decisões. Que beleza! Será que um dia eu seria como eles? E a cada convocação para uma reunião eu ficava orgulhoso. Pô, eu fazia parte do esquema! Com o tempo fui reparando que a maioria das reuniões era confusa, sem um objetivo claro. Uma perda de tempo. E um dia virei chefe e passei a ter a responsabilidade por convocar e conduzir reuniões. Foi então que refinei minha capacidade de reparar no espírito de participação das pessoas, em quem falava mais, quem estava bem humorado, quem atuava ativamente.

Sucesso e fracasso - Tostão

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O imponderável
Vivemos em um mundo competitivo, habitado por pessoas orgulhosas e vaidosas, que quase só pensam em resultados e que gostam mais de serem aplaudidas que amadas.
Os apaixonados por resultados adoram estabelecer um perfil dos vencedores, que sirva para todas as atividades. A única coisa em comum é a vontade, uma mistura de algo indefinido com ambição. Mas cada um faz do seu jeito.
No futebol, há muitas maneiras de vencer e de perder. Por haver tantos fatores técnicos envolvidos nos resultados das partidas, além do imponderável, nem sempre os melhores são os vencedores.
Com frequência, um técnico erra, e o time acerta. Ou o contrário. Quando dá certo, o técnico é excepcional. Quando dá errado, é péssimo.

Palavras Vulcânicas 7

Religiosidade é uma manifestação da sacralidade da existência, uma vibração da amorosidade da vida. E também o sentimento que temos da nossa conexão com esse mistério, com essa dádiva. Algumas pessoas canalizam a religiosidade para uma forma institucionalizada, com ritos, livros - a isso se chama "religião". Mas há muita gente com intensa religiosidade que não tem religião. [Mário Sérgio Cortella]

Palavras Vulcânicas 6

Um blog é uma espécie de caverna particular em que se pode refugiar e, rupestremente, pintar as paredes com experiências e aprendizados dignos de registros. Pode-se também ir a essa caverna apenas soltar uns bons gritos para desestressar. Ocasionalmente, alguém escuta o barulho. E ecoa. [J. Braga]

Jeitinho Feminino - Oscar Filho

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Incrível como as mulheres sempre conseguem com que nós, homens, façamos tudo o que elas querem. O detalhe é a sutileza que elas usam. Minha namorada, por exemplo. Sempre que saímos juntos, me pede:
- Pode segurar minha bolsa um pouquinho, amor?
Quando me dou conta, faz uma hora que estou lá carregando. E só percebo porque alguém, geralmente uma criança, aponta rindo:
- Um homem de bolsa, hahahahahaha.
Outra atitude que ela sempre tem é quando vamos comer. Ela pega o cardápio e:
- O que eu escolho pra eu comer, hein amor? (Repare que o "amor" vem sempre no final pra minimizar qualquer percepção da minha parte.)
Todas as vezes que ela pergunta, eu, pacientemente, vou indicando os pratos. E todas as vezes ela rejeita. Como ela sempre consegue me usar nesse processo de escolha de uma coisa que ela mesma vai comer? Só percebi esse talento que elas tem por conta de uma situação em específico que me fez pensar e que foi reveladora.
Estávamos ela, sua mãe, sua irmã e eu. Ela pega O MEU cel…

Juventudes em Pastoral

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A gente se vê na luta - Rogério Oliveira


Não. Não dá mais para pensar que a PJ tem todas as respostas para todas as juventudes. E nem que seus questionamentos servem para todos os jovens. Confesso que eu tive esta ilusão quando estava em meus primeiros anos na pastoral. Mas este é um fato que hoje eu compreendo melhor. Agradeço, pois, ao tempo e às muitas divergências com quem pensava diferente de mim em tantos e tantos aspectos.
Deixei de lado também a versão maniqueísta de que a PJ é o bem e quem não caminha ao nosso lado é o mal. Como se perdem oportunidades e contatos maravilhosos com tantas e tão boas lideranças por causa desta visão estreita!
Quantas vezes o meu preconceito fez com que eu me afastasse de alguns jovens só porque eles eram ativos em determinados movimentos de ordem mais espiritualista. Não compreendia que este meu afastamento deles gerava também a impossibilidade deles conhecerem um pouco mais das belezas da PJ.
Aprendi com duas amigas da diocese de Santo Amaro que há…

Mario Sérgio Cortella - Entrevista

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Um dos caras mais merecedores da minha atenção: Mário Sérgio Cortella. Abaixo segue um pouco da sua profundidade.
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Há uma pulsão de vida.  Claro que, a todo instante, está colocada também a possibilidade de que a vida cesse. Somos o único animal que sabe que um dia vai morrer. Aquele gato, que dorme ali, vive cada dia como se fosse o único. Nós vivemos cada dia como se fosse o último. Isso significa que você e eu, como humanos, deveríamos ter a tentação de não desperdiçar a vida. Escrevi um livro chamado Qual É a Tua Obra?, que começa com uma frase de Benjamin Disraeli, primeiro-ministro britânico no século 19. Ele disse: "A vida é muito curta para ser pequena". 
Como não apequenar a vida? Dando-lhe sentido. A espiritualidade ou religiosidade é uma das maneiras de fazê-lo. A religiosidade, não necessariamente a religião. Religiosidade que se manifesta como convivência, fraternidade, partilha, agradecimento, homenagem a uma vida que explode de beleza. I…

Qual a razão do Ensino Religioso na escola?

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A dimensão religiosa é parte integrante da vida - pessoal e social - do ser humano. A religião, como expressão da religiosidade humana, presente em todos os povos e culturas, sempre ocupou um lugar de destaque na vida dos indivíduos e das sociedades humanas. Portanto, uma educação que vise o desenvolvimento pleno do educando não pode omitir a educação da religiosidade e o estudo do fenômeno religioso, objeto da disciplina de Ensino Religioso.

O pensar contemporâneo sobre a educação tem assumido cada vez mais uma concepção integral do ser humano, buscando superar teorias e posturas que privilegiam o racional, ignorando outras dimensões, como, por exemplo, a religiosa, no desenvolvimento do educando e na construção do conhecimento. Na perspectiva de uma educação integral, que considera o ser humano na totalidade do seu ser, a religiosidade e suas diferentes expressões se apresentam hoje como uma dimensão humana relevante, manifestando os níveis mais criativos e profundos do ser humano.
Um…

Poema do Gênesis Invertido - Affonso Romano de Sant'Anna

APOCALIPSE OU GÊNESIS INVERTIDO(*) *Poema do livro a ser publicado brevemente, cujo titulo provável é: EXERCÍCIOS DE FINITUDE.  Qualquer semelhança com o noticiário nos jornais e na televisão é mera coincidência
No sétimo dia
(antes do fim)
as geleiras fendidas
desabarão
focas, pinguins e ursos
deixarão suas ossadas
no deserto em formação
ilhas imprevistas emergirão
e o que agora é continente
será um conteúdo
na escuridão.

No sexto dia
(antes do fim)
desnorteados pássaros
não saberão
de onde vieram e para onde vão
subvertida a ordem dos mares e florestas
seres atônitos seguirão o rumo
do vento e da aflição.

No quinto dia
(antes do fim)
choverá fogo no inverno
enlouquecidas as estações
as colheitas se perderão
devoradas por bactérias
germinadas
- do próprio grão.

No quarto dia
(antes do fim)
peixes envenenados boiarão
entre sargaços e destrocos
e os corais também mortos
não chorarão.

No terceiro dia
(antes do fim)
no esqueleto das cidades
máquinas desoladas
bactérias desesperadas
do própr…

Palavras Vulcânicas 5

"O Diabo, na carta ao seu sobrinho aprendiz, diz: 'O horror pela mesma coisa de sempre é uma das mais preciosas paixões que incutimos no coração humano -- uma fonte infinita de conselhos estúpidos, de infidelidade conjugal e de inconstâncias na amizade'. A lista poderia se estender, mas o que se encontra por trás desse 'horror pela mesma coisa de sempre' é a grande atração pelo novo seguida de uma profunda distração pelo essencial. O que a novidade faz é direcionar nossa atenção para outras preocupações, dando mais valor aos meios e não aos fins." [C.S. Lewis]

Carta aos Artistas - João Paulo II

As pessoas tem necessidade do belo. ----------------------- O artista, imagem de Deus Criador
1. Ninguém melhor do que vós, artistas, construtores geniais de beleza, pode intuir algo daquele pathos com que Deus, na aurora da criação, contemplou a obra das suas mãos. Infinitas vezes se espelhou um relance daquele sentimento no olhar com que vós — como, aliás, os artistas de todos os tempos —, maravilhados com o arcano poder dos sons e das palavras, das cores e das formas, vos pusestes a admirar a obra nascida do vosso génio artístico, quase sentindo o eco daquele mistério da criação a que Deus, único criador de todas as coisas, de algum modo vos quis associar.
Pareceu-me, por isso, que não havia palavras mais apropriadas do que as do livro do Génesis para começar esta minha Carta para vós, a quem me sinto ligado por experiências dos meus tempos passados e que marcaram indelevelmente a minha vida. Ao escrever-vos, desejo dar continuidade àquele fecundo diálogo da Igreja com os artistas que,…

Juventudes em Imagens - Ampliada Nacional da PJ

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Juventudes em Imagens - Yoga Rave

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Yoga Rave na Zona Oeste de São Paulo

A Doris Day e eu - Luís Fernando Veríssimo

Eis o texto que me inspirou escrever sobre minha não-crença em signos. Grifo Nosso. ---------------------- Me lembrei do que o Groucho Marx disse sobre a Doris Day, "Eu a conheci quando ela ainda não era virgem". Para os nascidos ontem: Doris Day foi uma cantora e atriz que simbolizou uma era no cinema americano em que ninguém dormia com ninguém. A não ser que estivessem casados, e assim mesmo em camas separadas. Doris era uma boa cantora, apesar de uma voz tão melosa que podia ser comida com panquecas. Como atriz, foi a prototípica mulher da época, segundo Hollywood. Moderna, emancipada - mas antes do casamento, nem beijo de língua. Groucho a conheceu no começo da carreira, cantando em boates de segunda e disposta a fazer qualquer coisa para entrar no cinema. Sua virgindade ainda estava por vir.

Guardados os devidos contextos, estou me sentindo um pouco Doris Day. Você deve ter lido que os mapas astrais estavam todos errados. Não foram ajustados de acordo com variações no eixo…

O que é você? - André Camargo

Você não é a sua conta bancária, nem a marca da calça que você usa. Essa é fácil. Nascemos peladinhos e, é claro, sem um tostão no bolso. Muita água tem de passar debaixo da ponte até conquistarmos nosso primeiro cartão de crédito, uma Ferrari e o último PlayStation. Ou até nos darmos conta de que não vai ter nada disso e a vida é isso mesmo. Depois, as coisas vão acontecendo e tal, e uma hora a gente morre.
Outro dia assisti à exumação dos restos mortais de dois familiares. A bela gravata e o terno que escolhemos para o velório não passavam de trapos apodrecidos. Rasgavam fácil. Os ossos escuros e avermelhados, cobertos de terra. Foram todos para uma urna de plástico. Quer dizer, cada conjunto de ossos foi para uma urna diferente.
Não, você não é os seus ossos, nem a carne que a terra come. Talvez você pense que é esse que você vê no espelho. Mas o que é que você vê? Só você sabe.
Se você fosse as suas idéias, crenças e valores, seus sentimentos e experiências passadas, assim como seus …

Porque não acredito em signos

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Durante boa parte da minha infância e adolescência carreguei uma grande convicção de que meu signo realmente influenciava na minha vida, no meu comportamento, no meu caráter e, óbvio, na minha "sorte". Cheguei a uma fase em que procurava um jornal impresso obstinadamente, todo dia, para ler meu horóscopo. Quando não conseguia, procurava até o de dias anteriores só para, supostamente, tentar entender o que me havia acontecido naquele período. Se fosse ano de Copa, ficava ansioso pelas previsões dos adivinhadores doFantástico. Queria saber logo se o Brasil ia ou não traçar mais uma. Engraçado é que botava tanta fé nas previsões, mas não me lembro de conseguir ter raiva dos charlatães, quando suas previsões não davam certo. Vai entender.
Minha mãe nunca deu importância a essas coisas. Nunca vi. Acho que jamais a ouvi pronunciar essas duas palavras (signo e horóscopo). Por outro lado, meu pai, por causa disso, teve uma grande raiva. Foi uma conta de telefone. Naquela época começa…

Quem quer faz, quem não quer...

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Há quase vinte anos foi apresentado às empresas brasileiras um conceito que modificou muito o sistema de trabalho da época: a terceirização. Eu me recordo de ter lido na época uma revista cuja manchete declarava: “A revolução que acabou com os empregos.”
A coisa funciona mais ou menos assim: antes da terceirização, uma empresa que tivesse 1.000 colaboradores na linha de produção, precisava dispor de um grupo bastante grande de pessoas nos processo auxiliares: administração, manutenção, limpeza, segurança, refeições. 
Para suprir estas necessidades, as empresas contratavam além dos operários, administradores, mecânicos, faxineiros, seguranças, cozinheiros. O processo seletivo era trabalhoso, os sindicatos eram diferentes e a administração de pessoas difícil.
Então, um belo dia, alguém insatisfeito com a empresa, saiu dela e resolveu montar sua própria empresa, especializada numa única tarefa. Alguns criaram empresas construtoras de ferramentas, outros de softwares, outros ainda de seguran…

Como construir um texto

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Esse maravilhoso artigo nos relata, culinariamente, como podemos construir um texto. Uma delícia!!! --------------------- O texto é um bolo para comer com café Enio Moraes Júnior 

Sempre me encantou saber que as coisas podem ter receitas e que cada uma delas pode ser um guia para a gente seguir na cozinha, na escrita dos textos jornalísticos ou na vida. Jamais esqueci os cadernos de receita de dona Joene, minha mãe. Como nunca fui lá um grande cozinheiro, acho que a melhor coisa que aprendi nesses cadernos foi a admirar o método das receitas.
Embora para cada cozinheiro o bolo vá resultar de um ou de outro jeito – como dizem os mestres-cuca, tudo depende muito "da mão" de quem cozinha –, as receitas tendem sempre a conduzir a resultados satisfatórios.
Além disso, me encantava perceber que a confiança trazida pela experiência passava a dispensar a receita ali ao lado. Fosse na comida preparada por dona Joene, nos salgados da tia Lúcia, nos beijos-de-caboclo da dona Ângela ou nas co…