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Mostrando postagens de Dezembro, 2010

Da Série: A mídia não me manipula...

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Resposta do ministro Jorge Hage a editorial de balanço (ano 2010) da revista Veja:

Brasília, 27 de dezembro de 2010.

Sr. Editor,

Apesar de não surpreender a ninguém que haja acompanhado as edições da sua revista nos últimos anos, o número 52 do ano de 2010, dito de “Balanço dos 8 anos de Lula”, conseguiu superar-se como confirmação final da cegueira a que a má vontade e o preconceito acabam por conduzir.

Qualquer leitor que não tenha desembarcado diretamente de Marte na noite anterior haverá de perguntar-se “de que país a Veja está falando?”. E, se o leitor for um brasileiro e não integrar aquela ínfima minoria de 4% que avalia o Governo Lula como ruim ou péssimo, haverá de enxergar-se um completo idiota, pois pensava que o Governo Lula fora ótimo, bom ou regular. Se isso se aplica a todas as “matérias” e artigos da dita retrospectiva, quero deter-me especialmente às páginas não-numeradas e não-assinadas, sob o título “Fecham-se as cortinas, termina o espetáculo”. Ali, dentre outras raivo…

E se eu for demitido?

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O sujeito abriu a porta, entrou na sala dos professores lotada e deparou com o silêncio e a cara de velório da maioria, alguns cabisbaixos e outros de olhos arregalados. A reação foi quase instintiva: “– Calma gente, Anêmona, não morreu! Tá viva! Não precisa essa cara de susto”. Anêmona é a esposa do sujeito que adentrou o professoral recinto e que havia sido demitida no dia anterior. Vésperas de Natal, as notícias de demissão perturbaram o ambiente da escola e impactaram os professores. Pensavam: “– Logo Anêmona?! Ela que está aqui há tanto tempo?! Realmente, não adianta a gente se dedicar tanto nessa escola. Pobre Anêmona...”.
Essa cena é real. Foi-me compartilhada pelo próprio esposo da demitida quando desenvolvia normalmente seus trabalhos como fornecedor da escola. Ele me salientava a expressão pesada das pessoas, a cara de morte. Até aquele momento, confesso que me sentia mais pesaroso – como os professores – que com todo aquele espírito “bola pra frente” de meu interlocutor. Del…

Filosofia não serve pra nada?

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Ora, muitos fazem esta pergunta: afinal, para que filosofia? 
É uma pergunta interessante. Não vemos nem ouvimos ninguém perguntar, por exemplo, para que matemática ou física, para que geografia ou geologia, para que história ou sociologia, para que biologia ou psicologia, para que astronomia ou química, para que pintura, literatura, música ou dança? Mas todo mundo “acha” muito natural perguntar: para que filosofia? Em geral, essa pergunta costuma receber uma resposta irônica, conhecida dos estudantes de filosofia: “a filosofia é uma ciência com a qual e sem a qual o mundo permanece tal e qual”. Ou seja, a filosofia não serve para nada. Por isso, costuma-se chamar de “filósofo” alguém sempre distraído, com a cabeça no mundo da Lua, pensando e dizendo coisas que ninguém entende e que são perfeitamente inúteis. Essa pergunta: “para que filosofia?”, tem a sua razão de ser. 
Em nossa cultura e em nossa sociedade, costumamos considerar que alguma coisa só tem o direito de existir se tiver al…

"O capitalismo sem controle é perigoso"

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Uma entrevista extremamente lúcida e iluminadora de alguém tecnicamente capaz de afirmar: o neoliberalismo - como conhecido antes da quebra do Banco Lehman Brothers - morreu!!!
--------------------------- Para o Nobel de Economia de 2001, o melhor sistema é o da Escandinávia. E o Brasil deveria se preocupar menos com a inflação e com o tamanho do Estado

O economista americano Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia em 2001 e ex-comandante do departamento econômico do Banco Mundial, ganhou destaque com a explosão da crise global, em setembro de 2008. De figura marginalizada, em razão de suas críticas ao "fundamentalismo do livre mercado", ele passou a ser ouvido com atenção até por financistas que torciam o nariz para suas ideias. No livro O mundo em queda livre, recém-lançado no Brasil (editora Companhia das Letras, R$ 66), Stiglitz diz que a crença na eficiência dos mercados morreu com a crise. Segundo ele, o melhor sistema econômico é o dos países escandinavos …

Quer filhos longe das drogas? Uma refeição por dia em família!

“Uma refeição por dia em família pode diminuir em até 80% o consumo de drogas entre os filhos – e também ajuda a combater a violência na rua, na escola e em casa.” A afirmação é do psiquiatra infantil Fábio Barbirato, autor do livro A mente do seu filho. Se as crianças aprendem por imitação, que modelos nós, os pais e mães modernos do século XXI, fornecemos em casa? O que ensinamos a nossos filhos? Temos tempo de transmitir algum valor ou de escutá-los?
Nunca foi fácil educar. A fronteira entre a autoridade e a compreensão é um aprendizado. Impor regras pode descambar para a repressão, a violência verbal, moral e física. Ser amigo pode descambar para a condescendência, a tolerância excessiva, a falta de limites. Qualquer dos extremos ajuda a formar crianças e adolescentes desequilibrados, inseguros, arrogantes e antissociais. Jovens batem nos colegas da escola, matam a pauladas torcedores de times de futebol adversários, espancam prostitutas, agridem homossexuais com lâm…

Dez conselhos para viver a Religião - Frei Betto

1. Religue-se. Evite o solipsismo, o individualismo, a solidão nefasta. Religue-se ao mais profundo de si mesmo, lá onde se cultivam os bens infinitos; à natureza, da qual somos todos expressão e consciência; ao próximo, de quem inevitavelmente dependemos; a Deus, que nos ama incondicionalmente. Isto é religião, re-ligar.

2. Tenha presente que as religiões surgiram na história da humanidade há cerca de oito mil anos. A espiritualidade, porém, é tão antiga quanto a própria humanidade. Ela é o fundamento de toda religião, assim como o amor em relação à família. Busque na sua religião aprimorar a sua espiritualidade. Desconfie de religião que não cultiva a espiritualidade e prioriza dogmas, preceitos, mandamentos, hierarquias e leis.
3. Verifique se a sua religião está centrada no dom maior de Deus: a vida. Religião centrada na autoridade, na doutrina, na ideia de pecado, na predestinação, é ópio do povo. "Vim para que todos tenham vida e vida em abundância", disse Jesus (João 10…

Sobre o nacionalismo latino-americano, argentino e brasileiro.

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Pela "grande" mídia (Folha, Estadão, Veja e Globo), são tidas por "bravatas anacrônicas" todas as tentativas de identificação do imperialismo dos EUA como...imperialismo. O texto abaixo tem o mérito de desesteriotipar as tentativas de simplificação do discurso de tradição jovem e estudantil como fruto de "voluntarismo, imaturidade e irreflexão". Baseado em livro com farta documentação, o artigo faz emergir, assim como o WIKILEAKS, o que todo mundo já sabia: os interesses de empresas privadas estadunidenses eram e continuam sistematicamente representados por seus agentes diplomáticos. Aspectos de "dominação" só não são reais para aqueles que, de fato, se associaram e associam aos "dominadores". Objetivamente falando: as elites (e seus agente midiáticos) locais. Em geral, os formadores de opinião, tidos por esclarecidos, encontram seus espaços midiáticos devidamente financiados pela "invisível mão do mercado". Leia e entenda me…

A década em que viramos voyeurs e juízes da vida alheia

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Um bom texto para iniciar reflexão sobre nossas mudanças enquanto telespectadores ao longo dessa década. É difícil manter algum discurso moralizador frente a tais programas. Assumo há algum tempo uma postura de "tirar proveito do que for possível". -------------------------------- Pegue algumas pessoas anônimas ou famosas, mas sedentas por dinheiro e fama, e as confine num ambiente fechado. Submeta-as a diferentes provas, provações e humilhações. Filme tudo com o maior número possível de câmeras. Obrigue-as a competir o máximo entre elas. Estimule traições e romances. Exiba, periodicamente, para o público, resumos com os melhores –e piores – momentos desta situação absurda.

Da série: Pra fazer pensar...

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Tempo...noção de tempo.

Etapas da Morte

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Esses dias assisti uma fala do saudoso Pe. Léo sobre a morte. Foi ótimo entendê-la e considerá-la a partir de outra mirada bem mais positiva. A partir desse texto, mais psicobiofisiológico, vou iniciar algumas reflexões acerca desta nossa companheira de todas as horas. Agora e na hora da nossa. --------------------------------- A morte não é algo desconhecido, porque todo ser humano passa por tal experiência. Mas, é relativamente tarde que a ciência começou a se interessar pelo fenômeno. Há pouco mais de vinte anos que o mundo inteiro ficava surpreso com os resultados de uma pesquisa sobre pacientes terminais ou clinicamente mortos que, depois de sua revitalização, revelaram experiências até agora desconhecidas.
Quem, hoje, pesquisar na Internet essas experiências, chamadas de "near-death-experiences", encontra milhões de sites, que se preocupam com o assunto. As assim chamadas "experiências perto da morte", tornaram-se objeto de pesquisas de todo tipo e de interpreta…

Reforma na Igreja urgente!

Reflexões de um clérigo católico egípcio...  -------------------------  1. A prática religiosa está em constante declive. Um número cada vez mais reduzido de pessoas da terceira idade, que desaparecerão logo, são as que frequentam as igrejas da Europa e do Canadá. Não resta outro remédio senão fechar estas igrejas ou transformá-las em museus, mesquitas, clubes ou bibliotecas municipais, como já se está fazendo. O que me surpreende é que muitas delas estão sendo completamente reformadas e modernizadas mediante grandes gastos com a idéia de atrair os fiéis. Mas não será suficiente para frear o êxodo.
2. Seminários e noviciados se esvaziam no mesmo ritmo, e as vocações caem vertiginosamente. O futuro é sombrio e há quem se pergunte quem irá substituir os sacerdotes. Cada vez mais paróquias europeias estão a cargo de sacerdotes da Ásia ou da África.
3. Muitos padres abandonam o sacerdócio e os poucos que ainda o exercem – cuja idade média ultrapassa muitas vezes a da aposentadoria – têm que s…

Pensamento Complexo em Imagem

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Palavras Vulcânicas 2

Sobre morte de crianças por...catapora!!!

Ok, de cabeça fria, um estatístico me diria: " Ah, Fulano, a taxa de mortalidade é baixa, de 1 para cada 50.000 crianças". Ok, meu amigo matemático... mas se esse 1 for o seu, você não vai pensar nos outros 50.000, vai ser 100%!
Na raça e na paz Dele,
J. Braga.

Da série: Pra fazer pensar...

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Pra fazer pensar Educação!

Pra fazer pensar Educação!

O que vou ser quando crescer? - Ignácio de Loyola Brandão

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Aos 17 anos o filho ouviu a pergunta dos pais, que se mostravam ansiosos: – Então, já sabe o que vai fazer? – Estou pensando. – Os vestibulares estão aí, ninguém espera. – Ainda não decidi. – Quando vai decidir? – Eu também me pergunto. Tem tanta coisa! – O que vai te dar segurança? – Não sei. Alguma coisa na vida dá segurança? – Como vai sustentar a família? – Que família? Nem tenho namorada, pai! A mãe estava ouvindo, quieta. Entrou na conversa: – Pois está na hora de ter uma. Para endireitar essa vida!

Povo é diferente de "massa"

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Li esse texto do mestre Rubem Alves e concordei com muitos aspectos, mas divirjo diametralmente da identificação do Povo com o que entendo ser "Massa".
Música sertaneja, programas populares de TV, futebol...enfim, são amenidades de massa. O "povo" não se confunde com a "massa". O povo é o que se organiza, se manifesta, se mobiliza, reivindica, luta e transforma.
O povo mobilizado...ahhhhh...este sim é de causar arrepios, de esperança para uns, de medo para outro. O Movimento das Diretas Já, a luta sul-africana contra o Apartheid, a pacífica independência da Índia de Ghandi...são alguns dos bons exemplos que transbordam a perspectiva pessimista do texto.
Seria pertinente completar e enriquecer o ditado: "O povo unido (conscientizado, organizado, mobilizado, não-pocotizado) jamais será vencido!"
A "massa" é pocotó, o "povo" não. ---------------------------- Ganhei coragem - Rubem Alves
“Mesmo o mais corajoso entre nós só ra…

Tempo de Advento

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Quando a gente se dedica a organizar um evento, indicamos, na prática, a importância de um acontecimento. A antecipação à tal comemoração ajuda a dimensionar seu tamanho afetivo e efetivo. Olho as notícias dos grandes portais, hoje dezembro de 2010, e vejo o destaque que se dá ao Carnaval, em especial, às rainhas de bateria ;) das escolas de samba do Rio. Melindres à parte, sabe-se que os verdadeiros sambistas e aficcionados já tem de cor as letras dos enredos de suas escolas do coração, as que embalarão a Sapucaí. Essa é uma minha constatação particular quiçá tardia, já que desde outubro as notícias sobre o Carnaval 2011 davam conta das escolhas definitivas dos tais enredos. A essa altura a Globo com certeza já gravou as chamadas do carnaval com Baterias dos grupos de elite de São Paulo e do Rio.

Mude sua perspectiva, mude o mundo! (pelo menos o seu)

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Há vários anos venho provocando reflexões sobre "perspectiva" junto aos meus alunos. Geralmente dou o exemplo da janelinha da porta da sala de aula e dos diferentes ângulos com os quais enxergamos o que ela deixa transparecer. Há uma realidade enorme por trás da janelinha, um mundo, que eu, em pé, na frente da sala, enxergo de um jeito. E uma mesma realidade enorme por trás da janelinha da porta, mas vista do ângulo dos meninos e meninas sentados em suas carteiras, de outro jeito. Outro ângulo. Outra perspectiva.



Educar é um troço complexo, na mais coloquial e na mais técnica acepção do termo. Realmente, não dá pra falar de educação sem se sentir a necessidade de ampliar e ampliar a conversa. Citemos apenas alguns dos aspectos envolvidos: avaliação, interdisciplinaridade, conteúdos cognitivos & atitudinais, enfoque na vida, preparação para o vestibular, ideologias, bullying, professor como agente educacional coletivo, projeto político pedagógico pastoral, arhf...chega can…

Você lembra em quem votou?

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Fora candidatos a presidente e governador que estabelecem uma relação de voto objetivo e, verdadeiramente, direto com os eleitores, mais de 20% dos votantes dessas últimas eleições já esqueceram em quem votaram para as Câmaras (Estadual e Federal) e o Senado. Isso se deve a falhas do sistema proporcional que não favorece vínculos entre representantes e representados. Reforma Política já!
--------------------------------------- Por Dora Kramer - Conversando sobre reforma política, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ricardo Lewandowski, chamou atenção para a necessidade de a sociedade se incluir e ser incluída nesse debate, sob pena de não se contemplar o principal interessado nessa discussão que há anos não ata nem desata.
Talvez exatamente pela falta do que o ministro chama de "perspectiva da sociedade".

História que merecem ser contadas

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RIO - Depois de toda a tensão para retomar o Complexo do Alemão, o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, deixou o ar sério de lado e chorou em plena hora do almoço, na segunda-feira. O responsável pela emoção do secretário foi o veterano garçom Gyleno dos Santos, de 73 anos, funcionário da prefeitura desde 1982. 
A história foi contada nesta quarta-feira pelo prefeito Eduardo Paes, durante a cerimônia de lançamento das obras para a construção do Museu do Amanhã, na Zona Portuária. Ao encontrar Paes na prefeitura, no início da semana, o garçom, morador de Del Castilho, comentou que, pela primeira vez, havia saído de casa sem medo, sentindo-se seguro após a tomada do Alemão. Ele disse ao prefeito que, se pudesse, daria um abraço no governador Sérgio Cabral e no secretário Beltrame. Por coincidência, um almoço com o secretário estava marcado para o mesmo dia no Palácio da Cidade.