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Mostrando postagens de Novembro, 2010

José Padilha comenta Guerra no Rio

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Carcaça de uma sociedade A tragédia carioca, maldito fruto de instituições públicas que convertem miséria em violência

Por que o Rio de Janeiro é uma cidade tão violenta? Por que tem um número tão alto de homicídios e de assaltos todo ano? Por que grande parte da capital carioca, sobretudo as áreas mais carentes, está dominada por grupos armados? Por que a história do Rio é marcada pela repetição de acontecimentos traumáticos na área de segurança pública, acontecimentos que chamam a atenção do mundo?
Vigário Geral e Candelária explicitaram a violência absurda da polícia carioca. O sequestro do Ônibus 174 demonstrou a precariedade dessa polícia e deixou à mostra a violência de um ex-menino de rua que preferiu “tentar a sorte” a se entregar ao Estado que o torturou a vida inteira. O brutal assassinato de Tim Lopes mostrou que os traficantes cariocas não são Robin Hoods do morro, mas criminosos que utilizam métodos brutais. A tortura de jornalistas de O Dia por milicianos deu origem à CPI q…

Missão da Escola Católica

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“(...) não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande ideia, mas pelo encontro com um acontecimento, uma Pessoa, que dá novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva” (Bento XVI, DAp, n. 12).




A Escola Católica deve ter bastante clareza sobre sua principal missão existencial e função social: educar – na perspectiva da formação integral – crianças, adolescentes e jovens. Analisar a Escola Católica, a partir dos cenários e teorizações contemporâneos, implica em compreendê-la como espaçotempo de educação, de evangelização, de produção-circulação de culturas, elaboração-reelaboração de saberes e conhecimentos, e finalmente, de perfilação de sujeitos que se pautam em valores cristãos.
Se a Escola Católica pretende atualizar sua práxis, necessita estar conectada a uma espécie de “Pedagogia da Fé” que, em linhas gerais, proponha a superação da dicotomia entre Fé e Vida. Isso se alcança a partir de conceitos assumidos no cotidiano escolar. Por exemplo, mais do que e…

Palavras Vulcânicas 1

SOBRE DEUS-RELIGIÃO: Se é verdade que, na perspectiva de individuação, o Numinoso não precisa de "intermediários", também é verdade que a experiência COMUNITÁRIA deste Mesmo se vê enriquecida e transformadora. Há limites para essa experiência comunitária? Há, verdade. Não há limites para essa experiência individualizada? Mentira. Há, e são inúmeras. (J. Braga)

A guerra no Rio do ponto de vista de uma carioca

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Porque o Rio mudou para melhor! - Ruth de Aquino
"Quero paz e autoridade", disse na televisão o morador do bairro da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Falou baixo, sem raiva e com confiança. No cenário de fogo e fumaça que tomou as ruas do Rio de Janeiro, com 95 veículos incendiados por bandidos ao longo de seis dias, por que o sentimento da população é de esperança, até de euforia, e não de desalento? Porque o grito de “basta” foi ouvido. Não se fecham mais os olhos à guerra, não se faz mais pacto com traficante, acabou o faz de conta. Há homens de bem no comando e eles não estão na tela do cinema.
Se os bandidos achavam que seus atentados terroristas iriam jogar os moradores do Rio contra o governo, o efeito foi o oposto. A reação fulminante do Estado, com o inédito apoio de blindados da Marinha e a união de várias forças de elite, provocou perplexidade nos lares, dentro e fora das favelas. A desconfiança que, durante décadas, contaminou a relação com os …

Atitude de Resiliência

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"Quando eu estou muito ruim eu lembro de um dia que eu vi uma kombi velha caindo aos pedaços, no meio de um engarramento cão, plena seis horas da tarde... e nela o cara colocou um adesivo bem grande: 'VAI DAR TUDO CERTO'." ------------------------- Na raça e na paz Dele, J. Braga.

Onze-de-Setembro Carioca

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No 11 de setembro de 2001 me lembro que estava saindo do ITEP quando, ainda no pátio da faculdade, escutei algumas pessoas comentando algo de uns aviões que caíram bem no meio de Nova Iorque. Mais na frente, esperando o ônibus no ponto, mais pessoas procuravam entender melhor essa mesma notícia. Até ali, nem eu quiçá ninguém se havia "ligado" na histórica data que vivenciávamos naquele momento. Era horário de verão, um dos últimos, senão o último pelo qual Fortaleza passou. O sol tinindo no meu quengo...queria mais era chegar no seminário onde morava, almoçar, tomar banho e descansar.

Amor Incondicional

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"Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ame por admiração, pois um dia você decepciona-se. Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação" (Teresa de Calcutá).

Na raça e na paz Dele, J. Braga.

O Gatilho

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Texto excepcional, saboroso e instigante. Compartilho com vocês... ------------------------------------ Meu amigo Minás escreve: “Quando eu tinha oito anos e estava no primeiro ano da escola, ganhei um prêmio com uma redação. O prêmio foi o livro ‘Fábulas da Emília’, do Monteiro Lobato. Encadernado. Devorei e, na sequência, li todos os vinte volumes do Pica Pau Amarelo. Duas vezes! Meus pais temiam pela minha sanidade, porque eu não saía nem pra brincar... Receber o livro pelo correio, em meu nome... ah, acho que foi o dia mais feliz da minha vida.”

Que delícia de lembrança! Quando garoto me correspondi com vários amigos por carta. Eu tinha que comprar o papel almaço, envelope e selo. Depois escrever à mão, com cuidado para não errar. Dobrar, colocar no envelope e fechar, lambendo a goma arábica da aba. Outra lambida e pronto, era só grudar o selo e levar até o correio. Era um trabalhão, mas ainda não encontrei uma sensação melhor do que a chegada do carteiro com uma cartinha…

Dogmas são enunciados abertos

Como já disse, dogmas são ENUNCIADOS humanos, declarativos, abertos e comunitários. Não são “sistemas”, não são tratados doutrinários, sequer teológicos. Tentando dizer de outra maneira: são declarações humanas – e comunitárias – do implícita e indiretamente Revelado pelo texto sagrado de tradição. Oferecem marcos e referências relativas à fé daquilo que uma comunidade de crentes considera relevante para sua identidade ekklesial (=assembléia).
A fórmula dogmática não pode se constituir num absolutum do tempo, da história, do lugar, da comunidade e do intérprete, ao contrário, é filha legítima de tudo isso e relativa a tudo isso. Ao mediar variações circunstanciais, a fórmula dogmática tem que ser revisada e reinterpretada para esclarecer seu sentido, aprofundá-lo, adaptá-lo e, se for o caso, complementá-lo.

O que é dogma?

Dogmas são enunciados humanos (não-revelados), ekklesiais (não-particulares), declarativos (não-constitutivos) e abertos (não-fechados). Dizem respeito a Sentidos compartilhados, a uma fé compartilhada e referem-se à Revelação (com destaque para as Sagradas Escituras), que é ato próprio de Deus. Esta, sim, norma normativa não-normada.
Numa experiência de particularidade, subjetividade, egocentricidade, não-comunitariedade dogmas não são pertinentes. Religião pessoal não admite dogma, assim como não tem símbolos, por individual.
Não há identificação com "sistema fechado". Sendo proposta a Revelação de Deus em palavra humana, ela segue as leis de todo discurso que, assim como afirma ou nega explícita e diretamente, também afirma ou nega implícita e indiretamente. Por isso, quando a comunidade de fé explicita o implícito e faz direto o indireto conteúdo do Revelado, efetua legítimos enunciados: os dogmas. Mas estes sempre suscetíveis de serem formulados em novas proposições.
Em ou…

É possível uma Religião Individual e A-simbólica?

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De fato, na minha compreensão, é dificílimo vivenciar uma experiência religiosa e, portanto simbólica, desprovida de uma comunidade que lhe dê sentido. O ser humano é um ente social mergulhado no simbólico. Faz isso pra entender, interagir e expressar-se. A própria palavra "sin-balos" (de origem grega) refere-se àquilo que é arrojado, lançado (balos) e unido, juntado (sin). Contrário a "dia-bólico", com prefixo "dia" (separa, afasta). Simbólico, portanto, é tudo que une. Diabólico, então, é tudo que desune, semeia discórdia e separa. Deus não precisa de símbolos, mas se permite encontrar com a ajuda deles. Afinal de contas, Deus é muito mais que qualquer discurso. O Antigo Testamento nunca execrou os símbolos, ao contrário, em alguns momentos Javé pede que Israel se valha de alguns deles para tornarem manifesta a presença de "Eu sou". O que se reprova, ali, são os "ídolos", ou seja, substitutos de Javé, aqueles que tomam o…

Por que odeiam tanto a Dilma, o Lula e o PT?

Um depoimento sincero de uma pessoa que nem conheço, mas com quem me identifiquei. E assino embaixo.  ------------------------------ Dias atrás eu perguntei para amigos e conhecidos, "porque vocês odeiam tanto a Dilma e o Lula e o PT em geral?" Ninguém respondeu minha pergunta diretamente, tudo o que eles fizeram foi falar do Serra, porque o Serra isso, e o Serra aquilo, e que o Serra vai melhorar a economia, e que a Dilma é uma terrorista e o Lula é um, desculpe o termo, bosta, socialista etc. e tal. O que eu pude perceber, não só neles mas também em mim mesma é como todos nós somos capazes de nos deixar levar por estranhos conceitos que nem podemos provar? Como podemos ser tão rápidos em julgar o caráter de alguem por algo que fez no passado? Sabe, as pessoas mudam, elas crescem, elas aprendem. Sabe? Todo santo tem um passado e todo pecador tem um futuro.

Um grupo de jovens pode mudar o mundo?

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Um cara cético diria que não. Eu sou cético e crítico em relação a muitas coisas. Mas digo que um grupo pode sim mudar o mundo, depende do tamanho deste mundo e de como o grupo se preparou para este fim.

Na Pastoral da Juventude é preciso ter a percepção de que os jovens são o foco e o Reino é a meta! Quem se mantém firme nesta perspectiva consegue pequenas e grandes transformações na realidade em que vive. Grandes e efetivas mudanças acontecem lentamente e com pequenas ações. As vitórias que vamos alcançando, mesmo que pequenininhas, precisam ser valorizadas. E trabalhando em rede, articulados com vários grupos que sonham juntos, as vitórias, além de maiores, são mais saborosas.

Sobre a fé no ser humano e a presença de Deus no seu interior

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Algumas considerações:
- O Cristianismo, pelo menos, considera o homem como ápice da criação (ou, melhor, a mulher) no relato do Gênesis. O ser humano é capaz de coisas grandiosas. A historinha da criação mostra, de maneira parabólica, que ser "imagem e semelhança" não é um tratamento estético, mas ontológico. E apenas dele - o ser humano - se fala isso.

- Outro ponto: Deus está no nosso coração, perto de nós, ao nosso lado, acima de nós, abaixo de nós, enfim. Não podemos praticar nenhuma "baixaria" tão baixa em que Ele não esteja lá para nos levantar. Não podemos realizar nenhuma obra tão "celeste" em que Ele não esteja mais alto para nos abraçar. Não podemos pender para lado algum, sem que Ele não esteja para nos equilibrar.
- As barbaridades escandalosas cometidas por "religiosos" não afetam em 1mm a credibilidade das Religiões se, antes, não forem reconhecidas como barbaridades cometidas por "seres humanos". Os mesmos espetaculares, f…

Vida e Morte - O que há do lado de lá?

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Uma vez escutei uma reflexão muito bonita. Não era exatamente sobre a existência de Deus ou não. Mas da possibilidade de "vida após a morte". A comparação era a seguinte: 
Quando estávamos na barriga de nossas mães, aquele era o melhor lugar do mundo. Quentinho, confortável, seguro, farta alimentação, sem esforços. Enfim. Se nos perguntassem se queríamos sair dali, diríamos:  - De jeito nenhum! Estou muito bem aqui. Deixe-me em paz aqui. Não preciso de mais nada. Alguém argumentaria:  - Mas aqui fora você vai poder brincar, ter amigos... - Amigos??? Brincar??? O que é isso??? - Ah...ter amigos e brincar são duas das melhores coisas da vida. Você vai adorar, acredite. Todas as crianças amam brincar e ter amigos. Venha pra cá que você vai ver! - Erh...(silêncio pensativo)...acho que não. Não. Não sei o que é isso, nem muito menos se vou gostar. Prefiro ficar aqui mesmo. Aqui é ótimo, estou satisfeito.
O que acontece conosco e a intermitente discussão sobre a "Eternidade", é …

Quando algo pode proporcionar o Sagrado

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Estórias, contos e parábolas tem uma enorme capacidade de transformar em discurso "lógico" algumas dimensões que extrapolam nossa limitada capacidade de percepção, compreensão, elaboração e expressão. Apreender o essencial significado da experiência religiosa não é tarefa simples. De fato, se buscado a partir de uma única linguagem e método, impossível ser alcançado em plenitude. Religiões não são doutrinas lógica e perfeitamente estruturadas, em aparente harmonia. Se assim fosse, não mereceriam atenção maior que qualquer outra filosofia.

A linguagem mitológica, longe de ser confundida com "fantasiosa" traz à fundo experiências inefáveis de/para a humanidade. Através dela, sinergicamente, se unem aspectos múltiplos distinguíveis, mas inseparáveis, pois com intenções recheadas de Sentido. Aspectos esses que normalmente são abordados separadamente, provocando visões precipitadas e reducionistas de tudo e de todos. Acrescente-se: é bom que se compreenda qu…

Novembro - Mês do Reino: Cadê o Reino de Deus?

Você sabe que na oração do Pai-Nosso tem uma hora em que fazemos um pedido um pouco difícil de entender: “Venha a nós o vosso Reino”. Parece estranho falar de “reino” hoje em dia. No Brasil não temos rei. Vivemos em uma república democrata. Tivemos um período de Império, mas cada vez mais nos distanciamos dessa experiência monárquica. Ficou para os livros de história.
O povo de Israel, bem antes de Jesus, era governado por reis que deveriam ser ungidos, ou seja, eles sabiam que seu poder vinha de Deus (cf. 1 Sm 2,10). Mas nem sempre os reis governaram segundo os desígnios de Deus. Tornou-se até comum que fossem repreendidos por profetas como Amós, Natan, Isaías, Jeremias, Ezequiel, entre outros. O conhecido rei Davi, apesar de toda a reverência que ainda se faz a ele, foi um dos que mais recebeu severas repreensões (cf. 2 Sm 12,1).
Dizem que os apóstolos Pedro e Judas Iscariotes eram “zelotas”, espécie de partido político que desejava imediatamente livrar-se do domínio do Império Romano…

Outubro – Mês das Missões: Igreja & Empresas

Quando entramos para trabalhar numa empresa, seja de qual porte for, vamos, pouco a pouco, sendo envolvidos por sua cultura, por sua forma de tocar seus serviços, suas metodologias, suas atividades comuns, seus líderes, seu slogan, sua marca, enfim. Por mais que seu modus operandi nos cause estranhamento – e isso tem a ver com nossa particular experiência e visão de vida – somos naturalmente convidados a assimilar todos esses processos. 
A empresa está correta em querer que seus colaboradores pouco a pouco se identifiquem com tudo que faz parte dela. Vale ressaltar, entretanto, que toda essa realidade está condicionada por um referencial prioritário fundamental: a Missão. Se há uma pergunta essencial para qualquer empresa – desde sua origem e em favor de sua perpetuação – é a clareza sobre seus propósitos e responsabilidades existenciais.
Todo ser humano, toda empresa precisa responder: Por que existo? O que me proponho a fazer nessa existência? Para quem? Se partimos do pressuposto de …

Aprendizado, Sentido e Identidade

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O que me move? O que me faz sair do lugar em que estou? Penso que nada responde melhor essa pergunta que a palavra “sentido”.
Em educação, diz-se que a aprendizagem se dá quando, no processo de interlocução entre sujeitos educadores e educandos, aquilo que o professor leva para o sagrado chão da sala de aula adquire sentido para os estudantes.
Tenho conseguido entender melhor essa ideia com meu filhinho, João Pedro, de 1 ano e meio. Como toda criança, ele, quando aprende algo novo, se surpreende com ênfase. Sabe aquela tomada de ar de susto (sem ser susto), com olhar arregalado e sorriso no rosto?! Pois é.
Mesmo diante de coisas, para nós, bobas como quando ele entendeu o sentido da existência de um único botão vermelho do controle remoto, que liga e desliga o televisor (e se refastelou de alegria!), houve um aprendizado ligado ao sentido. A criança busca o sentido das coisas para se relacionar e comunicar melhor, ainda que seja apenas com aquela coisa. No fundo, a experiência do bebê é …