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Mostrando postagens de Abril, 2008

Sobre Canários e Sabiás

Algum tempo atrás comentei com um amigo sobre minha carreira como executivo e a intenção de um dia partir para vôo solo. Esse amigo então me falou de canários e sabiás. Disse que o canário passa a vida numa gaiola maravilhosa, com comida e água em abundância, veterinário e todos os cuidados necessários para cumprir sua nobre função: ser bonito de ver e melhor ainda de ouvir. O canário canta e encanta. Onde existe um canário a vida é mais alegre. E eles são lindos, em vários tons de amarelo, branco, laranja...


Já os sabiás não servem para ser criados em gaiolas. Sabiás não são tão bonitos, as penas não são tão coloridas e seu canto não chega aos pés dos canários. Sabiás não são graciosos como os canários. E precisam lutar pela sobrevivência. Em compensação, sabiás voam. Voam alto, pousam nas árvores que querem, vão para onde querem e levam a vida em total liberdade. Meu amigo disse que eu vivia a fase de canário e que um dia partiria atrás da liberdade do sabiá. 


Achei o conceito muito a…

Gaiolas e asas - Rubem Alves

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Ferramentas e Brinquedos
Os pensamentos me chegam de forma inesperada, sob a forma de aforismos. Fico feliz porque sei que Lichtenberg, William Blake e Nietzsche frequentemente eram também atacados por eles. Digo "atacados" porque eles surgem repentinamente, sem preparo, com a força de um raio. Aforismos são visões: fazem ver, sem explicar. Pois ontem, de repente, esse aforismo me atacou: "Há escolas que são gaiolas. Há escolas que são asas".Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-las para onde quiser.
Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são os pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser…

Sobre bons relacionamentos...

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TÊNIS X FRESCOBOL - Rubem Alves
Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: ‘Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?\’ Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.’Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O império d…

Nunca antes na história desse país. Sim!

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Postado no Forum Café Brasil


Olá Luciano,
Já faz alguns meses conheci seus textos pelo Primeiro Programa da Rádio Transamérica. Achei-os muito bons e comecei a buscar conhecer mais dos seus artigos. Penso que houve um ganho pessoal considerável. Resolvi cadastrar-me na sua página virtual para tentar ser mais reflexivo e partilhar minhas impressões. Eis que aqui estou, pela primeira vez...O artigo "A cultura do vergulho" não foi, sinceramente, dos que mais apreciei. Você, Luciano, e eu sabemos que - sistematicamente - o Primeiro Programa da Transamérica, com Alexandre Pileggi (?), Renata Leite e Irineu Toledo, emite opiniões "antipáticas" ao presidente Lula e seu governo. Aliás, a Transamérica e mais da metade dos meios de comunicação do país. Sou abertamente favorável às políticas levadas a cabo pela atual governo e, apesar dos inúmeros problemas, percebo uma nítida evolução durante os anos que se apresentam.

Nossas verdades são só palpites - Rubem Alves

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Encontrar amigos é sempre uma alegria. Especialmente se fazia muito tempo que os amigos não se encontravam. Amigos se encontrando, não é preciso explicar. Amigos se entendem sem precisar falar.

Pois nos encontramos na semana passada, o Leonardo Boff, o Luiz Carlos Lisboa e eu. O Leonardo e eu já éramos amigos há muitos anos. Em razão de sofrermos, ambos, de uma doença incurável: uma relação de ódio e fascínio pela teologia. Essa doença dá grande coceira nas idéias, coceira que chega sangrar. Eu, de tradição protestante, ele de tradição católica. Mas sempre andamos juntos alegremente, jogando frescobol com palavras. Teologamos duetos, piano e violino, juntos e diferentes, sem confusão, sem separação, sempre em harmonia, de acordo com as definições do concílio de Calcedônia sobre as duas naturezas de Cristo. Concordamos em que Deus não entregou os seus negócios para serem administrados por uma instituição chamada igreja.