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Ensino Religioso nas escolas públicas: ressalvas sobre a decisão do STF

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Apesar do desconhecimento geral evidente sobre a matéria do Ensino Religioso (ER) votada nesta quarta-feira, dia 27/09, pelo Supremo Tribunal Federal, as pessoas estão dando bastante atenção ao tema. Se não pelas razões pertinentes, pelo menos sentimos a relevância e apelo popular da relação entre Religião e Educação na cabeça (e nas paixões) das pessoas. 
O Ensino Religioso é obrigatório, por Lei, na escola pública desde a Constituição de 1988, com edição especial do artigo 33 pela Lei 9475 (que vedava quaisquer formas de proselitismo), desde 1997. Para boa parcela da população, entretanto, parece que o ER só veio a existir - e ser obrigatório - essa semana. 
No furor da notícia, revertendo muitas expectativas, o que os ministros da Suprema Corte decidiram sobre o ER nas escolas públicas foi muito pouco entendido e rapidamente qualificado como "retrocesso" - sem ressalvas - por numerosos artigos, depoimentos e posts em redes sociais, tanto de gente qualificada como pelos t…

Novo lattes

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Cursei MBA em Gestão e Planejamento Educacional pela Universidade Católica de Brasília (UCB); especialista em Ensino Religioso (UCB) e bacharel em Teologia pela Faculdade Católica de Fortaleza (FCF). Como aluno especial do Mestrado em Educação e Contemporaneidade da Universidade Estadual da Bahia (UNEB), cursei a disciplina de Abordagem (auto)biográfica e Formação de Professores Leitores. Em 2016, assumi a Coordenação da Pastoral da Educação da Arquidiocese de Salvador e iniciei o trabalho de articulação, criação e desenvolvimento de cursos de extensão na modalidade a distância pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL), atuando também como professor-tutor. Atualmente sou Coordenador de Pastoral do Colégio Marista Patamares, em Salvador-BA. Tenho experiência na área educacional, com ênfase em gestão, formação docente, infâncias, adolescências e juventudes. Coordeno projeto de missão e voluntariado de relevante impacto social (ganhador do Prêmio "Escola Solidária" - Inst…

Reflexões sobre a tragédia de Goiânia - Cid Benjamin

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Pessoal, é preciso mais humanidade e menos ímpeto acusatório diante dessa tragédiaocorrida na escola de Goiânia. Como se sabe, nela, um adolescente matou dois colegas e feriu outros tantos, usando a pistola de um de seus pais, ambos da PM.
É preciso ter claro que todos, absolutamente todos, os envolvidos no caso são vítimas.
Vejamos por partes.
Compreender que são vítimas os mortos e feridos no episódio é muito fácil. É algo imediato.
É, também, fácil compreender que seus pais e parentes igualmente são vítimas.
Mas é preciso não parar por aí.
O menino que teria sido alvo de “bullying” e, num gesto de descontrole e insanidade, atirou nos colegas, também é vítima.
Vamos botar a mão na consciência. O moleque tem apenas 14 anos. O que será de sua vida daqui em diante? Provavelmente ele estará marcado pela sociedade.
Não bastasse o estigma, provavelmente também guardará esse trauma até o fim de seus dias.
Pois amigos meus, queridos, têm se referido ao garoto como “bolsonarinho”. Isso porq…

Sobre Lula e a percepção da realidade - Caio Almendra

Existe uma piadinha que eu sempre comento aqui sobre percepção da realidade. Três cientistas estão andando de trem pela Escócia pela primeira vez. Daí, uma ovelha preta passa na janela. O astrônomo diz "Na Escócia, as ovelhas são pretas". O físico refuta "Não, na Escócia, existe ovelhas pretas". Ao que o matemático discorda: "Na Escócia, existe ao menos uma ovelha com ao menos um lado preto".
A moral da história, óbvio, é "seja como o físico". O astrônomo presumiu que todas as ovelhas escocesas eram pretas por conta de uma única ovelha. O matemático concluiu ser possível haver uma ovelha preta filha de ovelhas brancas e, ainda, uma ovelha de um lado preta e de outro lado branca.
Não basta olhar informações. Tem que ser capaz de não extrapolar em cima do que elas de fato indicam(todas as ovelhas escocesas são pretas), nem reduzir o grau de informação delas a zero(um lado da ovelha é preta e nada mais). Se informar, no final das contas, é uma tar…

Por que 60% dos que apoiam Bolsonaro são jovens? - Moysés Pinto Neto

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60% dos que apoiam o candidato fascista são jovens. O que está acontecendo? Eu tenho alguns palpites, uns mais casmurros, outros mais esperançosos:
a) a juventude é sempre do contra. Esses jovens viveram no clima majoritariamente progressista (nasceram para o mundo com Lula no poder) e veem no conservadorismo uma forma de protestar contra o sistema;
b) junte-se a isso a repaginada que o conservadorismo deu a si próprio, associando-se a gamers e metaleiros, contrapondo-se ao "politicamente correto" e com isso ganhando alguma aura paradoxalmente contracultural (isto é, o conservadorismo por ora ganhou a batalha estética);
c) a juventude é cheia de energia e vontade de mudar. O que a esquerda ou os progressistas em geral estão oferecendo em relação a isso? 2013 foi sufocado pela esquerda -- até hoje continuam tentando enterrar o acontecimento -- e a partir daí quem ocupou as ruas mesmo?
d) o principal nome da esquerda (não meu, certamente) é o Lula. Dá pra olhar pra frente com…

Grupo de Pesquisa Educação e Religião emite note sobre decisão do STF relativa ao Ensino Religioso

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Editorial GPER / Newsletter nº 559 | Ano 13 | 29/09/2017

Leitoras e Leitores,

Esta semana finalmente ocorreu o julgamento no Supremo Tribunal Federal que respondeu a ADI 4439 sobre se ou não ser inconstitucionalidade ou não do Ensino Religioso. Para que compreendam o processo faremos uma retrospectiva histórica desta discussão.
1. Iniciamos em 1996 quando o texto da Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional (Lei 9394/96) afirmou que o Ensino Religioso ocorreria em duas modalidades: confessional e interconfessional, porém sem ônus para o Estado. O Prof. Dr. Darci Ribeiro responsável pela organização desta legislação compreendia que não seria possível às unidades federativas arcarem com este custo.
2. Após amplas discussões em 1997 ocorreu alteração do artigo 33 desta legislação assumindo uma perspectiva não confessional e que permitisse a todos os alunos participarem de uma disciplina escolar, não de um trabalho de divulgação da fé.
3. A partir desta alteração da legis…

“Os alunos que não competem têm melhor saúde mental”, diz educador

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Nos anos sessenta David Johnson (Indiana, 1940) e seu irmão Roger começaram uma cruzada contra a aprendizagem competitiva e individualista que imperava nas escolas dos Estados Unidos. Seu objetivo era romper com a crença de que somente os mais aptos sobrevivem e demonstrar que a aprendizagem cooperativa era a chave para o aluno se enquadrar na sociedade, encontrar um emprego no futuro e saber superar a ansiedade. Fundaram o Centro de Aprendizagem Cooperativa da Universidade de Minnesota e desde então publicaram mais de 100 pesquisas e formaram mais de um milhão de professores de diferentes partes do mundo. Hoje têm unidades de formação na China, Japão, Noruega e Espanha, onde se ensina uma metodologia desenvolvida por eles e assentada em cinco pilares.
Considerados os pais da aprendizagem cooperativa, os irmãos Johnson foram os primeiros a compilar e avaliar mais de 550 estudos publicados sobre o tema desde 1898 para depois elaborar suas próprias pesquisas, trabalho pelo qual receberam…

Curso de Extensão de Formação de Agente de Pastoral pela UCSAL

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Em setembro de 2016, recebi com alegria a missão de coordenar a Pastoral da Educação da Arquidiocese. Não caí de pára-quedas. Pelo menos desde 2013 ajudava a articular as escolas católicas numa perspectiva de comunhão com a Igreja Particular de Salvador. A ideia do grupo era gerar unidade com Dom Murilo e colocar em prática palavras de Papa Francisco, de uma Igreja "em saída", fora da lógica da autopreservação. 
Em novembro do ano passado, já arregaçando mangas, estabeleci contatos com a Universidade Católica do Salvador (UCSAL) para estudar como fazer parceria - ao meu ver lógica e natural - entre uma pastoral de educação e uma universidade católica. O objetivo era criar e oferecer um curso EaD (ensino a distância) de formação de agentes de pastoral. Não foi fácil. Como você sabem, não sou de Salvador, não conheço muitas pessoas e, no meio acadêmico, menos. 
Providencialmente, desde fevereiro deste ano, quando retomamos o projeto, foram aparecendo pessoas, demandas e confl…